Friday, August 3, 2007

Essa coisa da rotina…

Depois de comer um termómetro de mercúrio, dpois de tomar remédio da cadela, depois de comer comida da cadela e tanta, tanta, mas tanta coisa, a minha filha mais pequena meteu, hoje, um botão no nariz.

Passo a explicar:

“Mãe tenho um segredo para te contar”, diz a rapariga aflita a descer do baloiço.

“Eu meti no nariz um botão branco”, explica.

“Qual nariz? Qual botão?”, digo eu, sem perceber nada.

“Tenho um botão no nariz e não vou ao médico. Ninguém me leva ao hospital”, grita o raio da moça no meio do parque.

Peguei nela e tentei tapar-lhe a boca para não dizer mais asneiras. Entretanto pensei, se a rapariga tem uma narina tapada com o botão e se eu lhe tapo a boca, a criança ainda morre com falta de ar. Bem, deixei-a berrar na esperança de que ninguém telefonasse para a protecção e menores e crianças em risco.

Telefono ao pai das pequenas. “A Catarina meteu um botão no nariz”, digo eu. Quem pensa que o pai ficou preocupado com o nariz da criança está bem enganado. Quase aos berros, perguntou como é que eu deixei que ela fizesse isso (marido, foi assim: a rapariga virou-e para mim e perguntou-me se podia meter um botão gigante no nariz e eu disse que sim), como era o botão (mais ou menos redondo, com dois buracos no meio), porque é que eu AINDA não a tinha levado ao médico e outros comentários absolutamente oportunos.

No meio da confusão, sempre me mandou levar a criança ao centro de saúde.

Ligo ao pediatra. Explico a situação. Ele ri e manda-me leva-la ao hospital para que o otorrino lhe aspire o nariz.

Entretanto consigo calar a criança. Dou-lhe um lenço e ajuda-a a assoar o nariz. “Puxa com força”, insisto eu. “Sopra”, berrava a irmã.

E ele puxou e soprou e o botão saiu.

Está agora exposto para que a rapariga se lembre que nã se metem coisas no nariz.

E foi assim que se quebrou a rotina de um dia de Agosto.

 

 

Posted by Emília at 17:57:34 | Permalink | Comments (2)