uma chave em cada esquina?
Eu tinha jurado que não ía ao IKEA. Pelo menos até que as obras estivessem concluídas. Eu jurei e tencionava cumprir.
Contudo, rapidamente percebi que as obras em minha casa vão ser ipo “metro do Porto” ou “obras de S. Engrácia” ou “Igreja de Joane”. Isto é, um never end de cimento, areia e máquinas.
Fui ao IKEA. Fui mas não ía dizer nada ninguém. Sobretudo à família (leia-se, marido).
Depois de duas horas a tentar descobrir o raio da loja, estacionei no parque da maior loja de móveis da Peninsula Ibérica (está lá escrito!).
Fecho a porta do jipe e….pimba….deixo ficar a chave lá dentro.
Que fazer?
O que era segredo deixou de o ser.
Telefono ao meu sócio que está a trabalhar. Ora bem, querido marido, tantas saudades que tenho tuas, queres tomar café comigo e já agora, sais da fábrica, vais a casa, pegas na chave suplente do jipe, vens traze-la a IKEA e depois voltas ao trabalho. Não é muito, sei lá, são para aí uns 200 quilómetros…
(e eu só ouvia do outro lado o meu sócio a perguntar-me como é que eu tinha fechado o jipe com as chaves lá dentro, que isso era impossível e coisa e coisa)
O santo do meu margarido entre deixar-me abandonada num parque de estacionamento ranhoso e fazer os quilómetros, optou por salvar a mãe das filhas dele.
Largou o trabalho e foi a casa buscar a chave suplente. Foi um gesto de amor lindo seguido de duas murraças na minha cabeça para garantir que não voltaria a fazer o mesmo.