Friday, April 25, 2008
Thursday, April 24, 2008
Mais bonita
Então agora o candidato-não-candidato à liderança do PSD têm-lhes dado a volta à cabeça. São nomes a mais, reuniões a mais, confusão a mais para a cabeça dos adultos quanto mais das pobres raparigas.
Pergunta a maíuscula: “ò mãe porque é que não vais tu para o PSD”?
Respondo eu: “ouve lá, tu estás-me a ver na politica”?
E ela, simpática e airosa como sempre: “Tu és mais bonita que a manuela não sei quê”.
Qual é a mãe que não gosta de ter assim umas ricas filhas????
Brincar ás escolinhas
Numa altura em que professores e alunos, escolas e ministério da educação andam em reboliço, Joane está também a viver um momento agitado.
Ao que parece, sem perguntar nada a ninguém, a câmara de Famalicão decidiu estabelecer uma parceria com uma empresa privada para a construção do Centro Escolar de Joane.
Sobre os negócios da câmara e os interesses das empresas privadas, nada digo. Mas não me posso calar quando vejo em perigo o conceito, a estrutura e os princípios da escola pública.
Num terreno pertença da autarquia, a câmara quer ceder (ou já cedeu?) o direito de superfície a uma empresa, por 30 anos, para que construa e “explore” a escola que vai educar várias gerações de crianças.
Tudo isto, gratuitamente para os alunos de Joane mas a pagar para os estudantes de fora da vila. Parece que andamos a brincar ás escolinhas e aos colégios. Afinal, a temida “geração Morangos Com Açúcar”, que em tudo vê facilidades e que nada teme já manda e já exerce cargos com poder efectivo.
Quero, como centenas ou milhares de pais, um Centro Escolar em Joane. Mas uma escola que seja realmente pública. Que seja igual para quem mora em Joane ou para quem mora em Vermoim. Que tenha professores e funcionários pagos e dependentes hierarquicamente do Mistério da Educação, quer a ministra se chame Lurdes, Maria ou Manuela.
E quero, já agora, que em decisões tão importantes como esta, a comunidade escolar seja ouvida.
Thursday, April 17, 2008
Ora diga?
Como quem quer a coisa sem a querer.
Dava dois passos, abrandava, continuava.
Até que chegou à minha beira, meio envergonhado.
“Ó menina, disseram-me que a menina tinha muitos conhecimentos”, começou o homem enquanto eu me certificava que a “menina” era eu e que era eu a possuidora de “muitos conhecimentos”.
“Sabe”-continuou o homem, já dono de toda a minha simpatia- “precisava de um favor”.
E disse:
“Tenho um processo embriegado na câmara e precisava de o desembriagar”.
Entre, dizer-lhe para dar uma água das pedras e um Gurozan ao processo e esperar que a embriaguez passasse e/ou responder-lhe, tomei consciência que me estavam a tentar meter uma cunha.
Efectivamente, há uma primeira vez para tudo.
Monday, April 7, 2008
Quem é o maior?
Já estou, como o outro: “O meu coração só tem duas cores: Azul e Branco”.
Sunday, March 30, 2008
Grandes curtes com mata-moscas
A cara de mulher por trás do balcão não anunciava grande coisa. Antes pelo contrário.
Ó senhora então não vê que isto é um café?, pergunta-me, zangada.
Sem me dar tempo para dizer qualquer coisinha mais, irritada, resmunga:
-Se quer veneno para matar moscas tem que ir a um supermercado. Não vê que isto aqui é um café???
E vim-me embora e fui a outro lado comprar duas latitas para ver se ganhava asas.
Friday, March 28, 2008
Razões para ignorar um blog
Estou a mudar de casa.
Thursday, March 13, 2008
Simples e directo
Esta é a frase que a minha filha maiúscula escreveu no postal que fez na escola para oferecer ao pai no Dia do Pai:
“O meu Pai é o melhor Pai do mundo.
Conta história muito bem mas canta muito mal”
Simples e directo. Assim. Será um elogio?
Saturday, March 8, 2008
Estamos velhos?
Faço parte da geração dos que usavam fraldas na Revolução dos Cravos.
Tenho amigos, familiares e conhecidos a morrer. De cancro.
Uns já partiram, outros caminham a passos largos.
Sou eu que tenho muitos amigos e conhecidos?
Estou velha e é natural que as pessoas morram?
Está, de facto, a morrer muito gente?
Ontem fui a mais um funeral. Uma rapariga que andou comigo na escola primária e que sempre levou uma vida para lá de coira.
Tem dois filhos pequenos e um marido que a ama.
Estava careca e foi assim que quis ser sepultada, sem nada que lhe tapasse a nudez capilar.
Chorei por ela, pelas nossas brincadeiras na escola, pelo tempo em que brincavamos descalças no recreio e que diziamos que queriamos ser cabeleireiras ou cantoras.
Ao meu lado estavam outros colegas da escola primária. Há laços que a vida (e a morte) não conseguem cortar. E a nossa professora velhinha, velhinha, também lá estava.
E voltamos à pergunta inicial: Estou velha?
Acho que não. Pelo menos não tão velha como os pais dos meus amigos que morrem.
Ontem, a mãe da minha colega de escola perguntou-me: “Tu que és estudada diz-me lá porque é que eu tenho 82 anos e estou viva e a minha filha está morta?”
Do alto dos meus “estudos” dei-lhe a mão e chorei com ela.
Não deve haver dor maior do que a de perder um filho. É contra a ordem natural da vida.
Por onde andará Deus que não se importa com crianças sem mães nem de mães sem filhos?
Estarei velha?
Wednesday, February 20, 2008
Cumprir a lei!
Assim, esta tarde, imbuída deste espírito de cidadã exemplar, cumpridora e ciente dos meus deveres, decidi percorrer os 22 quilómetros que tinha pela frente na mais profunda comunhão com a lei.
Isto é, decidi respeitar todos os sinais de trânsito e todos os limites de velocidade.
Pois bem, foi uma experiência, no mínimo dos mínimos, inesquecível.
Fui ultrassada por toda a gente, desde camiões e motas, a tractores e até por um simpático carro da brigada de trânsito.
Buzinaram-me setecentas e quarenta e três vezes, levantaram-me o dedo indicador quatro vezes e chamaram-me nomes vezes sem conta.
Dei prioridade aos peões e eles ficavam espantados a olhar para mim.
Deixei passar as criancinhas da escola e a funcionária que as acompanhava olhou para mim com cara de caso.
Dois ciclistas ultrapassaram-me numa curva.
Enfim, fiz figura triste, gozada por quase todos os outros automobilistas que nem sequer me conheciam.
Um deles, o sádico, disse-me mesmo: “Minha senhora, quem não sabe conduzir pode andar vinte anos na estrada que nunca aprende”.
Gostei. Disse-lhe adeus e mandei-o para o mesmo sítio para onde se mandam as mães dos árbitros.
Nunca mais repito a brincadeira.