Cumprir a lei!
Farta de ser mandada parar por tudo que é autoridade, por tudo o que usa boné e por tudo que tem um cacetete, tomei a decisão de cumprir escrupulosamente todas as regras de trânsito.
Assim, esta tarde, imbuída deste espírito de cidadã exemplar, cumpridora e ciente dos meus deveres, decidi percorrer os 22 quilómetros que tinha pela frente na mais profunda comunhão com a lei.
Isto é, decidi respeitar todos os sinais de trânsito e todos os limites de velocidade.
Pois bem, foi uma experiência, no mínimo dos mínimos, inesquecível.
Fui ultrassada por toda a gente, desde camiões e motas, a tractores e até por um simpático carro da brigada de trânsito.
Buzinaram-me setecentas e quarenta e três vezes, levantaram-me o dedo indicador quatro vezes e chamaram-me nomes vezes sem conta.
Dei prioridade aos peões e eles ficavam espantados a olhar para mim.
Deixei passar as criancinhas da escola e a funcionária que as acompanhava olhou para mim com cara de caso.
Dois ciclistas ultrapassaram-me numa curva.
Enfim, fiz figura triste, gozada por quase todos os outros automobilistas que nem sequer me conheciam.
Um deles, o sádico, disse-me mesmo: “Minha senhora, quem não sabe conduzir pode andar vinte anos na estrada que nunca aprende”.
Gostei. Disse-lhe adeus e mandei-o para o mesmo sítio para onde se mandam as mães dos árbitros.
Nunca mais repito a brincadeira.
Assim, esta tarde, imbuída deste espírito de cidadã exemplar, cumpridora e ciente dos meus deveres, decidi percorrer os 22 quilómetros que tinha pela frente na mais profunda comunhão com a lei.
Isto é, decidi respeitar todos os sinais de trânsito e todos os limites de velocidade.
Pois bem, foi uma experiência, no mínimo dos mínimos, inesquecível.
Fui ultrassada por toda a gente, desde camiões e motas, a tractores e até por um simpático carro da brigada de trânsito.
Buzinaram-me setecentas e quarenta e três vezes, levantaram-me o dedo indicador quatro vezes e chamaram-me nomes vezes sem conta.
Dei prioridade aos peões e eles ficavam espantados a olhar para mim.
Deixei passar as criancinhas da escola e a funcionária que as acompanhava olhou para mim com cara de caso.
Dois ciclistas ultrapassaram-me numa curva.
Enfim, fiz figura triste, gozada por quase todos os outros automobilistas que nem sequer me conheciam.
Um deles, o sádico, disse-me mesmo: “Minha senhora, quem não sabe conduzir pode andar vinte anos na estrada que nunca aprende”.
Gostei. Disse-lhe adeus e mandei-o para o mesmo sítio para onde se mandam as mães dos árbitros.
Nunca mais repito a brincadeira.