Wednesday, January 30, 2008

Ora tomem

Hoje, o meu marido foi aumentado.
Hoje, o meu jipe voltou para as minhas saudosas mãos.
Hoje, COMPREI O MEU PRIMEIRO SACO DOLCE & GABBANA. É tão lindo e fica-me tão bem…
Posted by Emília at 14:50:23 | Permalink | Comments (1) »

Monday, January 28, 2008

Oração

A minha filha mais velha anda muito religiosa. Por tudo e por nada diz “valha-me o santo espirito”.
Por mais que a malta, pouco católica, lhe diga que é “valha-me o espirito santo”, ele insiste em dizer “valha-me o santo espirito”.
Esta noite, foi o culminar da festa: “Fogo mãe, se há santos para tudo porque é não há-de haver um santo espirito! Nunca houviste falar nos espiritos nem nos fantasmas???”.
Posted by Emília at 22:13:44 | Permalink | Comments (2)

Friday, January 25, 2008

Fumo branco

Depois de uma semana sem jipe; depois de vários dias a aturar as minhas crianças a brincar aos sem abrigo e a fingir que dormiam na rua; depois de andar a pé, de camioneta, de comboio e de metro; depois do stress de uma semana profundamente cansativa, tomei uma decisão:

VOU TIRAR UM CURSO DE DJ !!!

e já me inscrevi e tudo. Vai ser tão giro.uauau.
(surge agora uma dúvida: será que me vão excluir por ter mais de 18 anos??)

Posted by Emília at 21:28:28 | Permalink | No Comments »

Friday, January 18, 2008

coff coff coff

Eu, agora, não fumo!

 

É muito agradável entrar em qualquer café ou restaurante e sentir o ar puro. Não ver nuvens de fumo. Não sentir o cheiro a cigarros, a cigarrilhas ou, o pior de todos, a cachimbo.

Nota-se a diferença. Sente-se que há mais conversa, mais convívio entre as pessoas. E todos os que como eu nunca fumaram de forma voluntária, são agora, definitivamente, não fumadores.

Deixamos de fumar os cigarros dos outros ou de “fumar à borla”, como diz uma fumadora que conheço.

A legislação que agora entrou em vigor só peca por vir tarde. Quem quer fumar, pode fumar na mesma mas respeitando os outros.

Os não fumadores podem estar em qualquer lado que não incomodam ninguém pelo facto de não fumarem; quem fuma, tem o direito de continuar a fumar, mas não tem o direito de prejudicar os outros com o fumo dos seus cigarros.

O fim da “liberdade individual” de que falam os fumadores, a “caça ás bruxas” como diz Miguel Sousa Tavares, não são mais que desculpas de mau pagador. A liberdade individual não se pode sobrepor à liberdade colectiva.

A venda de tabaco continua a ser livre, o acto de fumar continua a ser livre. Apenas foram criadas restrições para espaços públicos. Mas, ao ar livre, em casa e em locais para fumadores, cada um pode fumar à vontade.

A lei está a ser cumprida e muito bem. Já se encontram grupos de fumadores ás portas dos cafés que, depois de fumarem o seu cigarrinho, voltam a entrar nos estabelecimentos.

Há dias vi mesmo um grupo de médicos, à porta do Serviço de Consultas Externas de um Hospital a fumar. Boa. Se a nova lei não tivesse sido aplicada, onde estariam os médicos e fumar?

Fumar faz mal, toda a gente sabe isso. Mas há quem não consiga resistir ao prazer de fumar um cigarro. Que fumem à vontade, mas que não prejudiquem ninguém.

 

Posted by Emília at 15:23:06 | Permalink | No Comments »

Conversas em chinês

Esta manhã, no mecânico:

Eu: o jipe cheira mal.
Ele: e trouxe aqui o jipe por ele cheirar mal?
Eu: sim. É que cheira mesmo muito mal.
Ele: e quer que eu o lave?
Eu: não. Só quero saber porque é que cheira mal.
Ele: diga-me a sério, você trouxe aqui o jipe porque ele cheira mal???
Eu: sim, cheira mesmo muito mal.
Ele: cheira mal a quê?
Eu: sei lá. Cheira mal.
Ele: ó dona eu tenho muito que fazer…
Eu: juro que cheira mal, parece que cheira a metal queimado.
Ele: eu vou dar uma volta com ele e já venho.

Minutos depois:

Ele: cheira mal, pois cheira, tem a embraiagem fodida.
Eu: tá a ver como eu tinha razão eu dizer que o jipe cheira mal?
Ele: se o problema é o cheiro, resolve-se já com um frasco de perfume.
Eu: pelos vistos é o cheiro e a embraiagem.
Ele: Vou-lhe dizer uma coisa. sou mecânico há muitos anos e nunca ninguém me trouxe um carro para arranjar com a indicação de que cheirava mal…
Eu: é sempre a aprender.

Estou sem jipe. Vai ter que levar uma embraiagem nova e não sei quando estará pronto.

Posted by Emília at 12:50:30 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, January 17, 2008

Pimenta

Passei a última noite a sonhar com pimenta. Era pimenta na língua, era pimenta na comida, era cheiro a pimenta e sacos e sacos de pimenta. Foi um pesadelo.
Alguém avança com uma explicação psicológia para isto?
Posted by Emília at 19:05:38 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, January 16, 2008

Senhora Dona Emília

Uma gaja com obras em casa e uma gaja informada a todos os níveis.
Já deixei de ser “patroa” e já sou a “senhora dona Emília”.
Sei palavras e expressões que o pudor me impede de dizer mas nunca tinha ouvido um homem (nem uma mulher) mandar outra pessoa “jogar à bola para a c…. da mãe”.
Oiço música que vareia entre a Jéssica Susana e a Maria Alice a chorar por ter que ir buscar, todos os dias, o marido bêbado “à loja” ao mesmo tempo que tem que afastar um traste quer ser seu amante.
Sei a canção do “vai emigrante ganhar a vida” e a da “Maddie foge de quem te prendeu”.
Tenho um carpinteiro a trabalhar cá em casa que tira as botas e sobe descanço, até ao segundo andar, onde decorrem as obras “só para não sujar o chão”.
O encarregado da obra é um brincalhão. Fala por enigmas (tipo, “hoje está sol” quer efectivamente dizer, “amanhã os pintores armam os andaimes”) e é um homem sem pressa. Sem pressa de acabar as coisas, sem pressa de atender o telefone, sem stress.
Enfim.
Crente como é, o meu sócio comprou duas garrafas do meu champanhe preferido para abrir “na inauguração da casa”.
Anda a ver se o demovo. Tenho medo que o champanhe passe de validade sem a casa estar pronta.
Pelo sim e pelo não, uma garrafa vai marchar esta noite.
Posted by Emília at 14:52:55 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, January 9, 2008

As mulheres ou os males do mundo ou a depilação

Fui com uma amiga á costureira.
Enquanto esperavamos que fizesse o trabalho, fiquei a saber a origem do mal no mundo.
Comodamente sentada no sofá, vi entrar no atelier uma simpática senhora, bem vestida, cabelinho cheio de laca, perfume Chanel sapato de salto alto, a bater o tacão.
Entrou e já nem me lembro como, começou a falar dos problemas do mundo.
E quais são eles, quais são?
Fiquei a saber pela simpática e sempre pertinente senhora que, basicamente, os problemas do mundo se resumem a uma palavra: MULHERES.
“Agora é uma pouca vergonha”, diz a sábia. “Elas fumam, elas bebem, elas andam meias-nuas. O mundo está perdido”.
E eu e a minha amiga acenavamos com a cabeça, de forma afirmativa, a confirmar tudo o que a senhora dizia, bebendo todas as suas palavras e procurando ali, quem sabe, a luz ao fundo do túnel que tem sido as nossas vidas.
(e também porque não somos gajas de arranjar chatices nem de criar problemas mas, sobretudo, porque a mulher tinha um enorme guarda-chuva na mão e ameaçava bater-nos com ele a qualquer momento)
“Então agora com a moda de tirar os pelos”, bufava a duquesa ou a marquesa ou a baronesa ou lá o que era.
“Isso eu até percebo”, atrevo-me a dizer.
“Percebe?? Não me diga que também é dessas que tiram, que tiram, que tiram os pelos todos e só deixam o mexilhão á mostra. É por isso que o mundo está perdido”.
Nunca mais, mas nunca mais, como mexilhão.
Posted by Emília at 22:34:07 | Permalink | No Comments »

Monday, January 7, 2008

Ás escuras

Mudei de ano ás escuras.
Com os olhos tapados. Inchados. Negros. Com picadas e dores.
É claro que me fartei de dizer que estava com os olhos negros por causa da violência doméstica mas ninguém acreditou.
Uma estúpida de uma virose deixou-me assim, neste estado miserável, no mundo das trevas, incapaz de ver a luz.
Por isso, 2008 será um ano em que nenhuma responsabilidade me pode ser imputada já que não tive consciência do que se passou à minha volta.
E comecei em grande.
Atolei o jipe no meio de um campo de erva e o meu sócio teve que chamar um reboque para o tirar.
Dado que o campo é propriedade privada, tive também que ir falar com o dono do terreno e apresentar as minhas desculpas dizendo que tinha os olhos tão doentes que o verde do campo me pareceu a estrada…
A falta de visão foi de tal modo grave que se prolongou até à noite de Reis.
O espumante de Alvarinho que se bebeu era bom. Eu não via bem o copo. Alturas houve em que eu nem sequer sabia se o copo estava cheio ou vazio, se tinha sumo ou se tinha espumante. E pimba, a noite acabou com a garrafa vazia e eu cheia de calor de vontade de falar e de rir e de cantar e de subir a mesa e de correr à chuva.
Enfim, coitadinha de uma gaja com uma virose alojada nos olhos.
A virose é de tal modo grave que, dois dias, depois da noite de Reis, para além dos olhos, ainda sinto uma profunda dor de cabeça e uns enjoos muito pouco saudáveis.
(Axo que além de pôr gotas nos olhos, as vou começar a beber)
Posted by Emília at 17:02:10 | Permalink | No Comments »