Quem paga manda?
Estou cheia de trolhas, de marteladas, de serras, de cimento, de betoneiras, de pó e de cascalho.
Não sei onde está a roupa. Desconheço o destino de livros e pastas.
Snifo pó.
Espirro.
Assim sendo, nesta pobre família, um cheque assinado representa mais uma empreitada, mais um pequeno passo para o Homem, mas um grande passo para a Humanidade.
Escolhemos azulejos, torneiras, sanitas, lavatórios.
Escolhemos vidros e cores para as janelas e estores.
Escolhemos lâmpadas.
E tudo, lentamente como o caracol, tem chegado o seu destino.
Bem, tudo, tudo, não.
Falta uma armário para a minha casa de banho.
Ligo para o empreiteiro. Ligo para o vendedor. Ligo para o meu sócio e armário de grilo.
Finalmente, liga-me a funcionária do vendedor.
“Menina, o armário não foi entregue porque o encarregado da obra cancelou a entrega. É melhor falar com ele”, atira a senhora, um bocadinho a medo.
Ligo ao homem.
Pois bem, do alto da sua sabedoria, o encarregado da obra mandou suspender a entrega. Pensou que havia um erro na referência do armário. Tinha a certeza que havia engano.
“Quem é que ía escolher um armário azul e branco para uma casa de banho”, perguntou o homem absolutamente espantado.
Basicamente, achei melhor não dizer mais nadinha.
Telefonei para a loja e re-confirmei a entrega.
E assumo publicamente que comprei um lindo, fabuloso, fora de série, maravilhoso armário azul e branco para a minha casa de banho.
Quanto ao artista do encarregado da minha obra, só me apetece chapar-lhe com o armário na cara.
(Comprei um cor de laranja para a casa de banho das minhas filhas. Embrulha lá, ó encarregado….)