Wednesday, October 31, 2007

Quem paga manda?

Vivo num estaleiro desde Julho para cá.
Estou cheia de trolhas, de marteladas, de serras, de cimento, de betoneiras, de pó e de cascalho.
Não sei onde está a roupa. Desconheço o destino de livros e pastas.
Snifo pó.
Espirro.
Assim sendo, nesta pobre família, um cheque assinado representa mais uma empreitada, mais um pequeno passo para o Homem, mas um grande passo para a Humanidade.
Escolhemos azulejos, torneiras, sanitas, lavatórios.
Escolhemos vidros e cores para as janelas e estores.
Escolhemos lâmpadas.
E tudo, lentamente como o caracol, tem chegado o seu destino.
Bem, tudo, tudo, não.
Falta uma armário para a minha casa de banho.
Ligo para o empreiteiro. Ligo para o vendedor. Ligo para o meu sócio e armário de grilo.
Finalmente, liga-me a funcionária do vendedor.
“Menina, o armário não foi entregue porque o encarregado da obra cancelou a entrega. É melhor falar com ele”, atira a senhora, um bocadinho a medo.
Ligo ao homem.
Pois bem, do alto da sua sabedoria, o encarregado da obra mandou suspender a entrega. Pensou que havia um erro na referência do armário. Tinha a certeza que havia engano.
“Quem é que ía escolher um armário azul e branco para uma casa de banho”, perguntou o homem absolutamente espantado.
Basicamente, achei melhor não dizer mais nadinha.
Telefonei para a loja e re-confirmei a entrega.
E assumo publicamente que comprei um lindo, fabuloso, fora de série, maravilhoso armário azul e branco para a minha casa de banho. 
Quanto ao artista do encarregado da minha obra, só me apetece chapar-lhe com o armário na cara.

(Comprei um cor de laranja para a casa de banho das minhas filhas. Embrulha lá, ó encarregado….)

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Monday, October 29, 2007

Surrealismo matinal

Eu: “Já viste? O tribunal espanhol quer condenar os responsáveis pelo atentado terrorista de 11 de Março a 300 MIL ANOS de Prisão?”
Ele: “Isso é pouco”
Eu: “Pouco?”
Ele: “Sim. Ainda se fosse a prisão perpétua! Agora, 300 mil anos??? Toda a gente sabe como é: a meio da pena saem da prisão, depois mais uns perdões e umas amnistias e os tipos estão cá fora daqui a cem anos”.

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Thursday, October 25, 2007

Informação

Já que a Brisa não colabora, o mesmo acontecendo com as informações de trânsito nas rádios nacionais, sou obrigada a - desta forma- informar os senhores e senhoras automobilistas que vou conduzir até Lisboa e tenciono regressar amanhã, fazendo o percurso inverso.
Assim:
 - aconselho vivamente a evitar a A1;
 - procurar percursos alternativos;
 - evitar ao máximo sair de casa.

Depois não digam que eu não avisei.

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Saturday, October 20, 2007

Piadas Foleiras

Jornalista: Dr. Jardim Gonçalves, é verdade que deu ao seu filho Filipe 12 milhões de euros?
Jardim Gonçalves: Ó Pous Dei….

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Thursday, October 18, 2007

Coisas de Gaja

Uma gaja descobre que não anda bem dos parafusos quando, depois das batatinhas esmagadas para fazer puré, abre a porta do frigorifico e, em vez de um pacote de leite, tira um pacote de Compal de Pessego e o despeja em cima das batatas…
Posted by Emília at 17:18:21 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, October 16, 2007

Fernanda

Querida Fernanda

Decidi escrever este texto na esperança que tu ainda o consigas ler.
Tu estás doente. Muito doente. E sabes que estás.
Sabes a gravidade da doença a cada gemido que dás e a cada lágrima que choras.
Percebeste, como me disseste hoje, que não há milagres.
Concordo contigo e sinto a mesma raiva por não haver nada que te possa reatar à vida e aos dias felizes.
Tu, que nem eras muito crente, pedes agora com as forças que te restam e de braços levantados para o céu, para Deus te levar e te tirar o sofrimento. Chamas pelo “Pai” como um filho que quer regressar a casa depois de uma longa e dolorosa viagem para, simplesmente, descansar.
Amiga,
Não posso dizer que as tuas dores são as minhas dores. Não posso prometer que defenderei a tua filha de todos os males do mundo. Não posso dizer que Deus é justo.
Mas rezo contigo para que aconteça o que tu queres que aconteça.
Lamento a fraqueza, mas a minha mente não aguenta mais olhar para ti e ver um niquinho da pessoa que tu eras.
Mesmo assim, estou contigo todos os dias a abraçar-te, a mostra-te que não estás sozinha, a ler em voz alta e a falar-te meigamente ao ouvido a pedir para teres calma.
Amiga,
Verdadeiramente amiga. Do coração. Que me recebeste de braços abertos e me tratas-te como se eu fosse da família quando ainda não o era.
Foste tu que me apresentas-te aos primos e ás primas, tias e tios, amigos e vizinhos.
Tivemos filhas na mesma altura. Partilhamos as mesmas dúvidas e tivemos os mesmos medos.
Sonhamos em conjunto. Fizemos dietas em conjunto.
Discutimos. Rimos. Rimos. Rimo-nos sempre muito. Cantavamos as canções mais foleiras que conheciamos.
Minha amiga,
Nesta altura em que sofres dores horríveis, penso em ti e penso em mim.
Em como vou conseguir viver sem ti.
Em como o mundo vai resistir à perda de uma pessoa tão extraordinária como tu.
Penso nos teus alunos. Na tua filha. No teu marido. Nos teus pais e nas tuas irmãs.
Penso se a tua (nossa) família alguma vez vai ser a mesma.
E volto a pensar em como o universo é injusto. E, tal como tu, apetece-me chamar assassina à morte.
Estes têm sido dos piores dias da minha vida.
Prometo-te que não te deixo ficar sozinha e que não morrerás sozinha.
Tu já não aguentas mais. E não mereces transformar-te num corpo onde só coração continua, insistentemente, a bater.
Para mim, és imortal. E estás sempre sorridente, com os olhos a brilhar, linda como no dia da primeira comunhão da tua filha em que, oficialmente, juntas-te toda a família para te despedires.

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Monday, October 15, 2007

Mamãs e Papás

 

Qualquer um constata que as Associações de Pais e as reuniões de pais, nas escolas, são –cada vez mais- reuniões de mães.
É verdade que alguns pais/homens também comparecem mas a maioria são, sem dúvida, mulheres. Os papás até podem continuar a ser os encarregados de educação das crianças mas são as mamãs que vão ás reuniões, que falam com os professores, vão aos refeitórios ver o que comem os filhos e que protestam quando há que protestar.
Daí a “piada” de participar numa Reunião de País quando a maioria dos presentes são mulheres.
Sei que o importante é o género. Que “pais” engloba homens e mulheres, mães e pais. Sei que já a escritora Natália Correia dizia que em vez de “Pátria” deveríamos dizer “Mátria”, tal era (é?) a participação feminina na gestão das famílias, dos países e do mundo.
A Unicef, por exemplo, nas muitas campanhas que realiza em locais de
guerra ou em países sub-desenvolvidos faz uma descriminação positiva e opta por ensinar ou formar mulheres.
A explicação é simples e vem escrita em documentos das Nações Unidas: “Ensinar uma mulher é ensinar uma família. Ensinar um homem é ensinar apenas um homem”.
Entre os Objectivos do Milénio que a Organização das Nações Unidas quer ver cumpridos até 2015, lá está, nas mais variadas vertentes, a promoção da igualdade de Género.
Entre os oito objectivos, acabar com a pobreza extrema; garantir o ensino primário para todas as crianças independentemente do sexo; promover a igualdade de género; reduzir a mortalidade infantil; garantir a saúde materna; conseguir meios ciêntificos para acabar com as doenças graves; proteger o ambiente e promover uma parceria global entre todos os países, não há dúvidas que a situação das mulheres no mundo tem particular importância.
Nestes objectivos, possíveis de concretizar, está o fim da descriminação salarial entre homens e mulheres, está o fim da descriminação escolar que, em muitos países e raças, leva os meninos para a escola e deixa as meninas em casa. No fundo, o que querem as Nações Unidas e o que milhões de pessoas querem é que as mulheres, só porque são mulheres, tenham menores salários, mais trabalho, mais responsabilidades e um menor acesso à educação e à cultura.
E lembro-me disto sempre que vou a uma reunião da Associação de Pais.

 

 

 

 

 

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Friday, October 12, 2007

Atenção professores!

Ora bem, aqui está a resposta que merece um Prémio Nobel, a resposta porque todos esperavam nos últimos séculos.

Como se faz o mel?

Responde a minha criança: “As abelhas andam de flor em flor a colher o açucar. Comem o miolo das flores e depois fazem cócó que é o mel”.

Nunca, mas nunca mais como mel.

Posted by Emília at 19:03:40 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, October 10, 2007

Ora pois

Sem que haja incompatibilidade entre uma coisa e outra mas sabendo que a conjunção dos dois predicados é rara, questiono:

Numa gaja, o mais importante, é conseguir andar com uns sapatos com um salto de 10 cm e usar os óculos de sol a segurar o cabelo ou ter alguma cultura fora de áreas tão sublimes como a moda, o jet set e os programas de TV??

Posted by Emília at 12:20:34 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, October 2, 2007

O segredo

As crianças são lixadas. Tivesse eu tempo e tinha matéria para escrever um tratato sobre as mil e uma maneiras de deseducar um filho, as mil e uma formas de pôr uma criança a envergonhar a família e coisas do género.

Serve este curto introito para indruzir o assunto para a última maior vergonha da minha vida: um segredo sem importância nenhuma (nem era segredo, na verdade) mas que as minhas gentis e adováveis crianças transformaram numa novela.

A suspeita:

1- ”Ó Emilia tu dormes sem cuecas”, pergunta um amigo das minhas crianças, assim, sem mais nem menos.

“Durmo de pijama”, respondo. E continuo, ainda com falta de ar, “porque é que perguntas isso”?.

“Por nada”, responde o puto e põe-se a andar.

2- Vou buscar uma das crianças á escola e oiço risinhos marotos á minha passagem. Nisto, uma miúda mais atrevidota pergunta se pode ver as minhas cuecas.

Mau. Isto anda aqui coisa.

A confirmação:

Junto a canalha em casa. CD das Chiquititas na mão e pergunto: “Ou as meninas me explicam o que se passa ou o cd vai já direitinho para o lixo”, digo.

Antes de fazerem aquela cara de santas que todas as crianças sabem fazer, ainda tive que ouvir a maiúscula a dessertar sobre a separação do lixo e que os cd’s não se podem misturar com o lixo normal e o caraças.

Bem, fiquei a sabes que, primeiro a mais velha e depois a mais nova, a minhas ricas filhas contaram na escola que eu, a mãe delas, dormiu uma noite em cuecas porque se esqueceu das calças do pijama.

A análise:

Claro que o tema é absolutamente fundamental para o desenvolvimento de qualquer criança. Imagino grandes discussões dentro da sala de aula “as cuecas da minha mãe são mais bonitas que as da tua”; “A minha mãe usa fio dental e a tua usa cuecas de gola alta”. Enfim, discussões que em nada ficam a dever a Kant, a Sócrates ou até mesmo a Pedro Santana Lopes.

Assim sendo, neste contexto, acredito piamente que, mal cheguem á escola, as crianças partilhem pormenores sobre a roupa interior dos respectivos pais.

O que de facto aconteceu:

Fomos passar um fim de semana a Lisboa. A um hotel todo XPTO e eu, na correria de meter a roupa dentro da mala, meti duas camisolas de pijama e nenhumas calças. Dormi em cuecas e caí na asneira de partilhar o facto com as minhas lindas meninas.

Agora, o meu esquecimento é público e as minhas ricas filhas estão a um passinho de ser deserdadas. 

 

 

 

 

 

Posted by Emília at 12:28:04 | Permalink | Comments (1) »