Sunday, September 2, 2007

Os homens e as compras

Desde sempre, tenho por príncipio que nenhum homem deve ir ás compras sozinho.

E, lamento, não conheço nenhuma excepção à regra.

Vai um gajo ao supermercado comprar uma embalagem de leite.

Objecticamente, deveria entrar no supermercado, dirigir-se á prateleira do leite, pegar no leite , pagar e sair.

A realidade é, contudo, mais cruel. O homem saiu de casa, vai tomar um café, ver os jornais e encontra um amigo que já não via há muito tempo (sei lá, há 24 horas mais ou menos). Benfica acima, Porto abaixo, mais Redbull menos Sagres Boémia, já lá vai quase uma hora.

Entra no supermercado. Sabe perfeitamente onde fica a prateleira do leite mas decide ir dar um voltinha para ver como anda o custo de vida.

Empurra o carrinho (seis litros de leite equivalem a 24 quilos e não podem ser carregados à mão), e pára pela primeira vez.

Entre as ferramentas inuteis que nunca terá tempo para usar e a palavra “promoção” afixada em grandes parangonas, ganha a “promoção” e e perde-se espaço na garagem porque as ferramentas ficarão por muito tempo armazenadas.

E os vinhos? E as cervejas? Ora vamos lá ver preço e os modelos. E pimba, mais umas coisitas para o carrinho.

E mais uma prova de queijos, ainda por cima com uma bela demostradora do produto. Bem, o queijo até nem é grande merda mas a menina tinha as mamas boas e aí vai mais um queijo para o carrinho.

Já passaram duas horas e o leite, nem vê-lo.

Por acidente, embate numa prateleira do leite e lembra-se do motivo das compras. Boa. Objectivo atingido. Prossegue para bingo.

Nas lojas de roupa e sapatarias, o sonhor de qualquer vendedor ou vendedora é que lhe entre na loja um gajo sozinho.

“Ó sr. Teixeira traga aí as caixas com os monos e as sobras dos anos 60, 70 e 80 que vem aí um homem sozinho fazer compras”, imagino eu a empregada de uma sapataria a dizer ao colega al vê um macho aproximar-se.

Desde calças amarelas, sapatos de cores indecifráveis, gravatas com reproduções de pinturas de Picasso, tudo sai do meio das bolas de naftalina.

Hoje, por segundos consegui evitar uma tragedia. Entrei na loja a tempo de evitar que o meu sócio coprasse umas sapatilhas (ou ténis ou o que quiserem) de uma conhecida marca.

“Gostas”, pergunta-me ele.

“Sim”, digo eu. E acrescento: “desde que as uses só no ginásio ou quando fores trabalhar para o quintal”.

Por entre protestos de que eram baratos, que eu não goto de nada etc, etc, lá conseguimos trocar as sapatilhas por outras muito mais sóbrias e, infinitamente, mais dignas.

Foi por um triz. Mas correu bem.

 

 

Posted by Emília in 21:39:40 | Permalink | Comments (2)