A minha filha queque??
Ando angustiada. Uma angustia que só um coração de mãe é capaz de sentir.
Será que ando a educar uma filha para ser queque? Betinha? Para ser uma “pimpinha” qualquer?
Meu Deus.
A minha filha mais velha precisa de um campo de férias com canalha do bairro do Aleixo (sem ofensa!).
A criança tem sete anos e usa uma vocabulário que até doi.
Não diz “velhota” nem “velha”. Diz “senhora idosa” ou “idosa”.
Não diz “trolha”. Diz “os senhores que trabalam em nossa casa”.
Não diz “estou cansada”. Diz “estou exausta”.
Não diz “tenho fome”. Diz “não achas que está na hora de comer qualquer coisa?”
Não diz “pobre”. Diz “pobrezinhos” como a Lili Caneças.
Não diz um único palavrão. Quando muito, escreve num papel os nomes que lhe chamaram e nunca foi capaz de escrever uma palavra mais forte que “burra”.
Quer ir para as “danças de salão” e não para a “dança”.
Gosta de hipismo porque as “meninas ficam muito bonitas em cima do cavalo”.
Diz, em público, coisas do género: “Que sujo que aquele senhor está” ou “aquela senhora não sabe comer à mesa”.
E gosta de ler. Sempre com livros na mão.
Tenho medo que a rapariga, a seguir por este caminho, queira discutir comigo a metafisica de Kant em vez das Chiquititas.
É finura a mais para esta rude mãe que não consegue que a filha diga qualquer coisinha simples como “merda”.