Thursday, August 30, 2007

A minha filha queque??

Ando angustiada. Uma angustia que só um coração de mãe é capaz de sentir.

Será que ando a educar uma filha para ser queque? Betinha? Para ser uma “pimpinha” qualquer?

Meu Deus.

A minha filha mais velha precisa de um campo de férias com canalha do bairro do Aleixo (sem ofensa!).

A criança tem sete anos e usa uma vocabulário que até doi.

Não diz “velhota” nem “velha”. Diz “senhora idosa” ou “idosa”.

Não diz “trolha”. Diz “os senhores que trabalam em nossa casa”.

Não diz “estou cansada”. Diz “estou exausta”.

Não diz “tenho fome”. Diz “não achas que está na hora de comer qualquer coisa?”

Não diz “pobre”. Diz “pobrezinhos” como a Lili Caneças.

Não diz um único palavrão. Quando muito, escreve num papel os nomes que lhe chamaram e nunca foi capaz de escrever uma palavra mais forte que “burra”.

Quer ir para as “danças de salão” e não para a “dança”.

Gosta de hipismo porque as “meninas ficam muito bonitas em cima do cavalo”.

Diz, em público, coisas do género: “Que sujo que aquele senhor está” ou “aquela senhora não sabe comer à mesa”.

E gosta de ler. Sempre com livros na mão.

Tenho medo que a rapariga, a seguir por este caminho, queira discutir comigo a metafisica de Kant em vez das Chiquititas.

É finura a mais para esta rude mãe que não consegue que a filha diga qualquer coisinha simples como “merda”.

 

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Monday, August 27, 2007

Tudo em obras

O principio era o de não stressar. Deixar correr. Encarar a coisa com naturalidade. Pensar SEMPRE que é para o bem comum.

Fazer ouvidos de mercador ao barulho; fingir-me de cega para não ver o pó.

Mas a chuva foi a gota de água.

Estou com obras em casa. Não tenho telhado. Tenho homens das sete e meia da manhã até ás cinco da tarde a fazer barulho e pó.

Chove dentro da minha casa. Há baldes e bacias e mantas espalhadas pelo chão.

Vivo num estaleiro. Uma espécie de “bidonvile” do século XXI.

Estou aqui, estou-me a passar da cabeça.

Sonho com sacos de cimento, com montes areia.

Vejo homens em tronco nú a beber cerveja e a jogar ao “Quem arrota mais alto” em cima da minha casa.

O alento que as revistas de decoração e os catálogos de cabines de hidromassagem e de sauna já não funcionam.

A minha casa está uma estriqueira.

Contudo, todos os meus amigos continuam a ser vindos ao estaleiro.

 

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Thursday, August 23, 2007

Falo

Sendo que, em Agosto, qualquer noticia vem a gosto estive eu esta tarde voltada para a estátua de um bispo que parece uma pila.

Na verdade, os senhores turistas até lá vão tirar fotografias em poses ousadas e os habitantes da terra estão fartos de piadolas e anedotas de mau gosto.

Vai daí, o povo unido jamais será vencido, urge derrubar a estátua.

Ora bem e como é que eu, uma jornalista séria, conto a história.

Não posso escrever que a estátua do senhor bispo parece uma pila.

Não posso escrever que as meninas tiram fotografias de pernas abertas com o báculo (mais ou menos a bengala do senhor) no meio das pernas.

Muito menos posso dizer que o largo onde está a estátua deixou de ser o largo X e passou a ser o “largo do caralho”.

Como posso então escrever???

Horas e horas na busca de sinónimos publicáveis.

Órgão fálico? Falo? Órgão sexual masculino? Estátua assexuada???

Ó tormento dos tormentos.

E só me apetece escrever o caralho da estátua e a estátua do caralho.

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Wednesday, August 22, 2007

Anedota do dia

Ligaram-me agora do meu anterior trabalho, de onde já saí há mais de um ano, a perguntar se era hoje que eu regressava de férias….

Eu disse que sim. Que podia dizer ao editor que, após o almoço, me apresentava ao trabalho.

Posted by Emília at 10:09:46 | Permalink | Comments (1) »

Monday, August 20, 2007

Não. não sou a única

Eu sei. Eu sei que estão à espera como abrutes pela carne aprodecida. Eu bem sei que querem saber como decorreu o meu fim de semana dedicado ás dores. isto é, a Nossa Senhora das Dores Eu sei. Mas não vou contar.

Não vou contar pormenores da procissão. Da roupa quente. Do véu que estava sempre a cair. Das vezes que tive que enviar a coroa de santa na cabeça das minhas ricas filhas. Nã, não vou.

Até porque havia muita gente a tirar fotografias e ficou tudo registado.

Apenas vos digo que nunca, mas nunca, em toda a história local, nacional e internacional, uma procissão de Nossa Senhora das Dores teve figurantes tão bonitas!!!

Mas o que realmente me agonia, o que me doi, não são as setas que a santa tinha espetadas no coração.

O que me doi é saber que até o pároco da paróquia onde estive lê livros do Paulo Coelho.

“Nem sabe o gosto que tenho por tê-la cá como Senhora das Dores”, dizia-me o homem.

E palavra puxa palavra (mais um bocadinho e estava eu, de vestimenta levantada por causa do calor, a beber vinho da missa com o senhor padre), pergunta-me o sacerdote:

“Gosta de Paulo Coelho”?

“Nunca li nenhum livro dele”, respondi.

Senti-me a cair a pique na consideração do padre.

Serei a única a nunca ter lido um livro do homem??

Posted by Emília at 19:42:52 | Permalink | Comments (3)

Saturday, August 18, 2007

Informação inutil

A quem puder interessar, informo que:

Esta família vai estar incontactável nos próximos dias.

Por sermos todos devotos da manutenção das tradições familiares (independentemente do seu teor), vamos assentar praça na grande romaria da Senhora das Dores.

Assim, hoje entramos em estágio para a função.

Amanhã, cumpriremos a função.

Depois de amanhã, estaremos a descansar da função.

Depois, depois de amanhã, estaremos a morrer de vergonha por ter participado na função.

Informo ainda que só respondo, por escrito, a perguntas sobre a função e que todos os pormenores, sórdidos ou não, serão omitidos.

E agora, vamos lá.

 

Posted by Emília at 08:56:29 | Permalink | No Comments »

Monday, August 13, 2007

Há dias…

Há dias em que uma gaja acorda cheia de boas intenções, com vontade de fazer coisas novas, cheia de pica e cheia de vontade de trabalhar.

Há dias em que uma gaja chega ao fim do dia e constata que só fez merda.

Posted by Emília at 22:02:06 | Permalink | No Comments »

Friday, August 10, 2007

uma chave em cada esquina?

Eu tinha jurado que não ía ao IKEA. Pelo menos até que as obras estivessem concluídas. Eu jurei e tencionava cumprir.

Contudo, rapidamente percebi que as obras em minha casa vão ser ipo “metro do Porto” ou “obras de S. Engrácia” ou “Igreja de Joane”. Isto é, um never end de cimento, areia e máquinas.

Fui ao IKEA. Fui mas não ía dizer nada ninguém. Sobretudo à família (leia-se, marido).

Depois de duas horas a tentar descobrir o raio da loja, estacionei no parque da maior loja de móveis da Peninsula Ibérica (está lá escrito!).

Fecho a porta do jipe e….pimba….deixo ficar a chave lá dentro.

Que fazer?

O que era segredo deixou de o ser.

Telefono ao meu sócio que está a trabalhar. Ora bem, querido marido, tantas saudades que tenho tuas, queres tomar café comigo e já agora, sais da fábrica, vais a casa, pegas na chave suplente do jipe, vens traze-la a IKEA e depois voltas ao trabalho. Não é muito, sei lá, são para aí uns 200 quilómetros…

(e eu só ouvia do outro lado o meu sócio a perguntar-me como é que eu tinha fechado o jipe com as chaves lá dentro, que isso era impossível e coisa e coisa)

O santo do meu margarido entre deixar-me abandonada num parque de estacionamento ranhoso e fazer os quilómetros, optou por salvar a mãe das filhas dele.

Largou o trabalho e foi a casa buscar a chave suplente. Foi um gesto de amor lindo seguido de duas murraças na minha cabeça para garantir que não voltaria a fazer o mesmo.

 

Posted by Emília at 18:19:47 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, August 8, 2007

três em um

Há dias assim. Cheios de piada e de piadas.

1- Vou ao supermercado com as minhas filhas e uma amiga delas. A maiúscula insiste para que eu lhe compre umas pastilhas e eu respondo algo do género “pois, pois, é já a seguir. Vou pensar nisso”.

A amiga delas fica contente e comenta que eu sou tão boa mãe que até lhes vou comprar as pastilhas.

Resposta da minha filha mais velha: “ó morcona não vês que quando a minha mãe diz isto é porque não vai comprar nada????”.

 

2- Quatro adolescentes roubaram roupa de uma loja no norte de Portugal.

Jornalista 1 : “olha diz aqui que as raparigas roubaram roupa interior…”

Jornalista 2 : “roupa interior? que estranho. Para quê?”

Jornalista 1 : “vou ligar para a GNR”.

Telefona e começa a rir á gargalhada. Efectivamente as raparigas tinham roubado roupa. Não roupa interior mas roupa DO interior de uma loja…

 

3 - Um cromo que eu conheço criou uma empresa (a sério) om o seguinte nome: ARRANJINHOS S.A. - Empresa Matrimonial, arranjos esporádicos e promíscuos. E acha que vai ter sucesso.

Posted by Emília at 22:25:46 | Permalink | No Comments »

Tuesday, August 7, 2007

Inauguração oficial

Estão oficialmente inauguradas as obras de remodelação e ampliação do palácio desta família.

A minha descendente mais nova quase que deu com um martelo na cabeça de um dos trabalhadores alegando que ele a acordava todas as manhãs “com as marteladas no telhado”.

Eu, mais diplomaticamente, limitei-me a espetar um prego todo enferrujado no pé direiro.

Alguém oferece o champanhe???

Posted by Emília at 21:11:59 | Permalink | No Comments »