Thursday, December 28, 2006

abandonadas

“Ó mãeeee”, quando as conversas começam assim, o meu instinto maternal (seja lá o que isso for) sai da caixa e põe-se alerta. “Ó mãeeee”, continua a minúscula cada vez mais enroscada em mim. “Filhaaaa”, respondo eu, a gozar (só um niquinho) com ela.

“É verdade que eu e a M. fomos abandonadas e tu nos foste buscar a um caixote do lixo”????

“Quê? Explica lá isso outra vez”, peço eu já um bocadinho em pânico.

“Como se tu fosses muito burra?”, atira ainda a minúscula.

E voltou a perguntar: “A M. disse que nós tinhamos sido abandonadas no lixo e que tu e o papá  nos foste lá buscar”…

(Ok. Calma. Respira fundo. Não te rias. Não chores. Não grites)

Já passaram dois dias desde a famosa pergunta. Tanto eu como o pai já lhes explicamos milhentas vezes que não. Que não é verdade. Que estiveram as duas dentro da minha barriga. Que nasceram no hospital. Mostramos fotografias. Supostamente o devaneio estava esclarecido.

Mas não está. É tema de conversa com as amigas e as gajas até se gabam da história trágica que “viveram”.

Agora estão de castigo. Mas, basicamente, está-me a escapar qualquer coisa nesta história recambolesca que me fazl lembrar o “Fado do Desgraçadinho”.

Posted by Emília in 11:08:33 | Permalink | No Comments »