Por razões insondáveis que não interessam mesmo nada, anda meio mundo deprimido. Com vontade de não sair da cama. De mergulhar no vale dos lençois e pôr uma aviso na porta “acordem-me quando o mundo estiver melhor”.
Basicamente, por trás (ou por baixo, ou pelo lado ou por cima, como preferirem) disto tudo, anda aí um virús, que em vez de frebre e dores por todo o lado, leva as pessoas a assinar–amigavelmente, note-se–rescisões do contracto de trabalho.
É claro que ninguém é obrigado a faze-lo (ora pois claro), mas pronto, a malta é assim que é que pode fazer?
A vontade de dar autografos, o desejo de protagonismo é tamanho que, mal lhes mostram um papel para assinar, ái vai isso. Pimba, assinatura nele…
E depois começa a ronda entre o centro de emprego, a segurança social, os pobrezinhos, os funcionários publicos que, depois de atender, 600 desempregados, já nem olham para as pessoas…
Bem, isto para falar, nas neuras, nas “depres” e nos choros repentidos.
Antes de formar um clube, decidimos ir ao shop.
Começou logo a correr bem. Uma amiga manda um mensagem “tráz linha preta e agulha”. E eu logo a pensar que as coisas estavam tão más que a rapariga já queria fazer o corta e cose a preto…
Afinal, era só um botão da blusa que tinha saído e que deixava, mais ou menos, as mamas á mostra.
Bem, poupando os pormenores que vão desde quase andar à lapada com um azeiteiro no parque de estacionamento, uma caixa de tomates que se abriu no jipe e lançou tomates por todo o lado, até a um magnifico relógio que apareceu entre os tomates e, á falta de dono, reverte a favor da casa, digamos que foi um dia de chorar a rir.
Pareciamos canalha. Gajas de um colégio interno, soltas por um dia. A mães a fazer coisas que jamais permitiriam ás filhas que as fizessem…
Faz bem ir ao shop. Melhor que uma caixa de prozac ou de xanax.
Acho que vou começar a organizar excursões ao shop, pelo menos, uma vez por semana.
Belmiro, amigo, o povo está contigo.