Qual crucifixo qual quê!
Ando eu armada em mãe atenta, moderna e preocupada para nada!
Como não sabia em que dia começavam as aulas da minha filha maiúscula, armei-me em parva e fui ao agrupamento perguntar.
Como? Quer saber o quê?, perguntavam as funcionárias. E lá repetia a minha dúvida como se estivesse a perguntar quantos planetas, afinal, exitem no sistema solar, quanta água tem o mar ou se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha.
Acabei no gabinete do senhor professor responsável pelo agrupamento.
Com ar paternal, com um ligeiro sorriso matreiro, o senhor professor mandou-me ter calma porque, quando a data estivesse definida, “o padre avisava na missa”
Desculpe???, começo eu a gaguejar. E se eu não for à missa???
Ora, ora alguém vai e depois diz-lhe a data–responde-me a sumidade letrada.
Apenas tive coragem para lhe responder que, perante coisas destas, não sei porque é que anda meio mundo preocupado com os crucifixos afixados nas salas de aula…
Só para rematar, importa dizer que eu vivo numa vila com 10 mil pessoas onde, pelo menos, metade da população não vai á missa.