Friday, September 29, 2006

Deduções lógicas

Tendo em conta que:

O chão da minha casa não é furado;

Os objectos são constituídos por matéria, ocupando espaço e tendo uma determinada forma;

Há objectos que não são perecíveis, que não se gastam, que não se desfazem;

Que não cabem no aspirador;

Que não são comestíveis;

Que não servem para partir nozes.

Tendo ainda em conta que,

Há objectos profundamente úteis;

Indispensáveis;

Fundamentais ao bom entendimento de uma família;

Capazes de garantir a harmonia entre gerações.

Pergunto:

Onde raio estará o comando da televisão????

A situação está cada vez mais insustentável. Ou vemos sempre o mesmo canal ou então o comando móvel (eu, claro está!) passa a vida a levantar o cú do sofá porque um quer ver uma coisa, outro quer ver outra, um quer mais baixo, outro quer mais alto….

Ou o raio do comando aparece hoje ou acaba de vez a televisão neste lar.

Tenho dito.

 

 

Posted by Emília at 14:45:06 | Permalink | Comments (3)

Wednesday, September 27, 2006

Carta aberta

Ao meu amor:

Hoje fazes anos e não te comprei prenda. Basicamente acho que, eu própria, já sou uma rica prenda.

Fazes trinta e…, continuas lindo por fora e por dentro. Cheio de paciência, de bondade e de inteligência. Estás cada vez mais sábio e, se te recordas (eu sei que te lembras!) da lua de mel na Grécia, lembras-te também da famosa frase de Sócrates: “Uma boa esposa faz um marido feliz. Uma má esposa faz dele um filósofo”. E eu sei que tu não gostas nada, mas mesmo nada de filosofia.

Só alguém que ama e que é absolutamente fanática pelo glorioso Futebol Clube do Porto, aceita comprar um Kit Sócio Benfiquista (até me custa escrever isssttttoooo) para oferecer a um homem que não sossegou enquanto não conseguiu converter as filhas ao vermelho e branco.

Só alguém que ama, aceita–noite após noite–dormir na mesma cama com uma gaja que, mesmo no Verão, tem sempre s pés gelados.

E assim, porque hoje fazes anos, já fiz quilómetros á procura de um restaurante que venda caracóis apesar do nojo que isso me faz. É o que dá casar com um lisboeta mesmo, podendo afirmar, que converti um mouro.

Não encontrei, por isso não esperes ter caracóis para o jantar. Contudo, podemos sempre substituir a ementa por tremoços ou amendoins…e, de uma forma absolutamente excepcional, até podes ouvir o Hino do Benfica, cantado pela Maria Ruef. Mas não abuses.

Só porque fazes anos, tornei publica esta carta aberta de parabéns.

É a minha prenda. Do resto, falamos logo.

 

Posted by Emília at 11:25:32 | Permalink | Comments (3)

Tuesday, September 26, 2006

Dona de casa

Hoje escreve a dona de casa. A gaja que faz compras, que gasta dinheiro que se farta em leite, arroz, massa, carne, peixe, iogurtes e muitas outras coisas.

Uma gaja que sempre que vai ás compras pensa que tem que “começar” a poupar dinheiro, a cortar nas despesas embora não saiba bem em quê.

As simples palavras “promoção” ou “desconto” fazem “plim” na minha cabeça…

A frase “pague um e leve dois”, é música para os meus ouvidos…

As ofertas e os talões de desconto são preciosidades cada vez mais raras.

O Lidl é, cada vez mais, o posto de abastecimento da família…

Enfim, é tempo de apertar o cinto. É o início do ano lectivo e eu nunca mais páro de comprar material escolar.

Até que, qual ciêntista maluco, qual ministro das finanças de um reino falido, qual inventor que acaba de descobrir a água em pó, hoje fiz uma descoberta fantástica.

Finalmente percebi porque é que cá em casa se gasta tanto champô, tanto gel de banho, tanta pasta de dentes.

Sim, somos uma família limpinha e asseada mas, efectivamente, não é a quantidade de vezes que tomamos banho ou lavamos os dentes que dá cabo do orçamento.

Esta manhã, envolta em espuma, percebi a arte dos fabricantes. As embalagens dos produtos são do mesmo tamanho mas têm uma abertura maior. Isto é, apertamos o frasco do gel de banho e meia embalagem cai na esponja.

Pressionamos a pasta de dentes e meia bisnaga fica na escova.

Malandros. Claro que assim as coisas cabam muito mais depressa.

Bora a escrever á Palmolive, à Colgate e aos outros fabricantes que nos andam a assaltar a carteira?

 

 

Posted by Emília at 16:21:56 | Permalink | Comments (2)

Sunday, September 24, 2006

Cem palavras

O que fazer quando temos tanto para dizer e o bom senso me manda estar calada?

O que dizer dos despedimentos (há quem lhe chame “mútuo acordo”) que estão a ser feitos em alguns jornais, cortando a torto e a direito, mas mantendo intocáveis certas regalias apenas para alguns?

O que dizer de um Papa que, agora, coitadinho, se diz incompreendido, que no meio de um incêndio, resolve espalhar gasolina?

O que dizer a uma amiga de 40 anos que se sente só. Demasiado só, embora cheia de pessoas á volta?

O que dizer a dois amigos que deixaram de namorar, emboram gostem um do outro, mas que não conseguem aguentar as pressões externas contra a relação?

O que dizer aos meus amigos que, de um dia para outro, ficaram sem trabalho e têm uma vida para continuar a levar em frente?

O que fazer com a angústia de pensar que, também eu, daqui a dias, posso ficar sem emprego?

Acho que a vida é coira. Que é uma sostra. Uma seba e outras palavras más que a minha madrinha usava e de que agora, infelizmente, já não me lembro.

Acho mesmo que, há dias em que o destino, Deus, Alá ou quem quer que seja se diverte com as nossas dúvidas e mágoas.

Hoje é um desses dias.

 

Posted by Emília at 12:15:19 | Permalink | Comments (9)

Friday, September 22, 2006

Coisas sem importância nenhuma

1-Ontem disse ao mecânico: “Ou me resolvem de vez o problema da bateria ou eu devolvo o carro à procedência”.

Responde ele: “Devolve onde? Á procedência? Olhe que o jipe não era da procedência era de uma pessoa particular”.

 

2-No aeroporto de Lisboa, depois de vir de Paris, com escala em Lisboa para mudar de avião para o Porto.

Perto da uma hora da manhã. Sono e fadiga em demasia. Pego no bilhete e digo à assistente: “Por obséquio,  deixa-me passar (ela estava comodamente a falar com uma colega, sem qualquer pressa)?

Diz a senhora assistente: “Por quê? Ó minha senhora não misture línguas, por favor. Ou fala tudo em português ou tudo em estrangeiro”.

 

 

 

Posted by Emília at 09:31:22 | Permalink | Comments (1) »

Wednesday, September 20, 2006

Perguntinha…

Já que falamos em furacões, estou cá com uma dúvida que não me sai da cabeça.

Por favor, ajudem-me.

Qual é o feminino de Furacão???

Posted by Emília at 13:23:38 | Permalink | Comments (7)

Foste ás P.U.T.A.S. ???

Ao contrário de todas as previsões, o furacão Gordon mudou de rumo e não fez mossa nos Açores.

Ó Gordon, para onde foste??

Afinal, estavam as televisões à tua espera, a protecção civil, o presidente do governo regional, os populares e tu nadinha?

Não é que eu achasse que deverias entrar pelos Açores adentro e destruires tudo à tua volta. Até porque isto não são os Estados Unidos… Mas também podias, pelo menos, mostrar-te á gente.

Sei lá, pareces o Bush. Ameaças, ameaças e depois engasgas-te a comer uma pipoca. Ou isso ou então foste mesmo aquele sítio que nós sabemos.

 

Posted by Emília at 13:08:23 | Permalink | Comments (2)

Sunday, September 17, 2006

Vê lá se te despachas!

 

Estava eu, há um post atrás, a dizer bem do meu sócio, com tanto amor e carinho que nem as cartas escritas na Maria, e eis que, rapidamente, me apeteceu morder a lingua, neste caso entalar os dedos para não mais escrever asneiras…

Após um convite insistentemente feito para que fossemos a uma festa de anos na feira de artesanato cá do sítio, lá fomos.

A festa correu bem. Oferecemos à aniversariante um broche (ai como ela é fã destas coisas!!), com direito a um pequeno texto sugestivamente intitulado “Ode ao broche” que um  dia, talvez, revele.

Parabéns a você, conversa, comes e bebes, a canalha cheia de sono e decidimos que estava na hora de regressar a casa.

Há frente, num recinto onde estavam mais de duas mil pessoas, ía o meu sócio com a maiúscula.

Uns dois metros atrás, ía eu com a minúscula a dormir traquiliamente no meu colo. Sabe-se lá como ou porquê, escorreguei num pedaço de madeira molhada e catrapuz, estendo-me no chão.

A minha filha apenas abriu os olhos e continuou a dormir tranquiamente. Dezenas de pessoas (não estou a exagerar)vieram em meu auxilio. Ajudaram-me a levantar. Queriam pegar na minha filha, mais isto mais aquilo…

Cheia de dores nas costas e com um tornozelo todo lixado, reparo que nem sinais do meu sócio.

Com um estardalhaço daqueles, parecia impossível que o homem não tivesse dado por nada.

Escusado será dizer que não deu. Continuou em direcção ao carro, feliz da vida, sem questionar o porquê da minha ausência.

Já de pé, afastei o pobão que se ajuntou, e começo a caminhar. Ou melhor a arrastar as pernas.

Resolvo telefonar-lhe. Antes que tivesse empo de dizer alguma coisa, começo logo a ser inquirida sobre a minha demora, que estava farto de esperar por mim e coisas do género. “Vê lá se te despachas”, remata.

Quando finalmente lhe pude dizer que dei um grande tombo, que além da dor fisica, me doía a alma por ter caído em frente de tanta gente, o meu querido sócio, olha para trás e, finalmente, vê-me e vem em meu auxilio.

“Então rapaz, tu não viste que eu caí?”, pergunto eu.

“Eu realmente olhei para trás e vi-te arrastar as pernas, mas pensei que eram os sapatos que te apertavam”, responde o meu encantador sócio.

Fiquei sem saber se havia de chorar ou de rir. O que é certo é que ainda me doi o tornozelo e as costas.

E a vergonha, essa, acho que nunca mais a vou superar… 

 

Posted by Emília at 18:42:06 | Permalink | No Comments »

Thursday, September 14, 2006

BOM DIA

Hoje é um dia especial.

Dia da Exaltação da Santa Cruz!

Na verdade não sei bem o que isto é, mas há dez anos que quase toda a gente me isto…

Hoje a minha filha maiúscula foi, pela primeira vez, para a primeira classe. Sente-se tão grande, mas tão grande que quase não liga aos amigos.

(A mais pequena começou segunda-feira na pré-primária e todos os dias insiste em levar chapéu, independentemente de estar chuva ou sol)

Hoje faz dez anos que casei.

Juro perante os queridos, simpáticos, inteligentes, amorosos e bem-dispostos leitores deste bolg que casava hoje, outra vez, com o mesmo homem, e com a mesma vontade.

Posted by Emília at 14:31:40 | Permalink | Comments (6)

Tuesday, September 12, 2006

ó mãe

A minha filha piquena trouxe um recado da pré-escola a explicar aos papás e ás mamãs o que era a pré-primária.

Com perguntas e respostas.

A mais interessante é a seguinte: “Deve uma mãe, mesmo estando em casa sem trabalhar, levar os filhos para a pré-primária?”. A resposta era afirmativa, mas estas perguntas misógenas e profundamente machistas deixam-me doida.

E o pai, se “estiver em casa sem trabalhar” também deve levar os meninos á escola?

É possivel uma mãe ou um pai estar em casa sem trabalhar?

O que é que quer dizer “estar em casa sem trabalhar”?

Parece que o ensino, em vez de educar para a igualdade, prefere manter tradições absurdas em que a mamãs ficam na cozinha e os papás no sofá.

Estou cheia de receber presentinhos feitos pelas minhas descentes no Dia da Mãe, na Páscoa e no Natal que variam entre os panos de cozinha, pintados por elas, os aventais, e bases para as panelas.

O pai, por outro lado vai recebendo também coisas muito originais: Pano para limpar o carro, uma jogo de xadrez, um tapete para o rato do computador..

Afinal, que raio andam estas professoras e professores a aprender nas universidades? 

 

 

 

Posted by Emília at 08:44:54 | Permalink | Comments (5)