Estava eu, há um post atrás, a dizer bem do meu sócio, com tanto amor e carinho que nem as cartas escritas na Maria, e eis que, rapidamente, me apeteceu morder a lingua, neste caso entalar os dedos para não mais escrever asneiras…
Após um convite insistentemente feito para que fossemos a uma festa de anos na feira de artesanato cá do sítio, lá fomos.
A festa correu bem. Oferecemos à aniversariante um broche (ai como ela é fã destas coisas!!), com direito a um pequeno texto sugestivamente intitulado “Ode ao broche” que um dia, talvez, revele.
Parabéns a você, conversa, comes e bebes, a canalha cheia de sono e decidimos que estava na hora de regressar a casa.
Há frente, num recinto onde estavam mais de duas mil pessoas, ía o meu sócio com a maiúscula.
Uns dois metros atrás, ía eu com a minúscula a dormir traquiliamente no meu colo. Sabe-se lá como ou porquê, escorreguei num pedaço de madeira molhada e catrapuz, estendo-me no chão.
A minha filha apenas abriu os olhos e continuou a dormir tranquiamente. Dezenas de pessoas (não estou a exagerar)vieram em meu auxilio. Ajudaram-me a levantar. Queriam pegar na minha filha, mais isto mais aquilo…
Cheia de dores nas costas e com um tornozelo todo lixado, reparo que nem sinais do meu sócio.
Com um estardalhaço daqueles, parecia impossível que o homem não tivesse dado por nada.
Escusado será dizer que não deu. Continuou em direcção ao carro, feliz da vida, sem questionar o porquê da minha ausência.
Já de pé, afastei o pobão que se ajuntou, e começo a caminhar. Ou melhor a arrastar as pernas.
Resolvo telefonar-lhe. Antes que tivesse empo de dizer alguma coisa, começo logo a ser inquirida sobre a minha demora, que estava farto de esperar por mim e coisas do género. “Vê lá se te despachas”, remata.
Quando finalmente lhe pude dizer que dei um grande tombo, que além da dor fisica, me doía a alma por ter caído em frente de tanta gente, o meu querido sócio, olha para trás e, finalmente, vê-me e vem em meu auxilio.
“Então rapaz, tu não viste que eu caí?”, pergunto eu.
“Eu realmente olhei para trás e vi-te arrastar as pernas, mas pensei que eram os sapatos que te apertavam”, responde o meu encantador sócio.
Fiquei sem saber se havia de chorar ou de rir. O que é certo é que ainda me doi o tornozelo e as costas.
E a vergonha, essa, acho que nunca mais a vou superar…