Wednesday, August 30, 2006

Indy

O Independente vai fechar e eu estou triste.

Acho que devemos estar todos.

A comunicação social, em Portugal, está tesa como os bonecos das Caldas da Rainha.

Que venha o SOL.

Temo que o fenómeno indy seja contagioso e sirva de exemplo a outras publicações.

O Independente denunciou muitas situações em que a moral e política não eram compativeis. Foi, muitas vezes, condenado em tribunal, pagou indemnizações, mas não se calou.

Até agora.

Hoje é um dia negro na história do jornalismo em Portugal.

Posted by Emília at 23:29:10 | Permalink | Comments (4)

Tuesday, August 29, 2006

Peões

Desde que conduzo, comecei a ter outra visão do mundo: aquela que o alto do meu jipe me proporciona.

E nessa nova visão (como se viesse do mundo das trevas para o mundo das luzes, filosoficamente falando), a grande revelação é o comportamento dos peões.

É extraordinário o poder dos que são automobilizados, isto é, dos que andam a pé.

Semáforos? Passadeiras? Carros? Qual quê! Reis e senhores da estrada, há peões que são verdadeiros piões.

Ele é nas curvas, ele é nas rectas, ele é nas filas, ele é nos sinais vermelhos, ele é com criancinhas ao colo, ele é sem olhar para o lado, ele é sem sequer dizer um “obrigadinho” ou apenas levantar a mão…

Os mais idosos então, na escala dos peões, são os mais corajosos. Ou porque, por cada ano de vida, acumularam direitos adquiridos (uma espécie de pontos) que lhes permite atravessar a estrada onde lhes apetece ou então porque, como já viveram muito, tornaram-se numa espécie de peões-suícidas, género “se morrer, morri”.

Creio mesmo que existe uma qualquer, ainda inexplicável, proporção entre as curvas e os atrevessamentos de estrada.

“Olha ali uma passadeira! Não, vou atravessar ali na curva que dá mais pica”.

“O semáforo está vermelho mas que se lixe, os carros que parem”.

“Há aqui um passeio, mas andar na estrada é melhor”.

E dou comigo a tentar ler mentes, a fazer da telepatia uma ciência a explorar. A tentar perceber o que vai na cabeça de alguns ‘kamicazes’ (não sei se é assim que se escreve…), mas sem sucesso.

Ontem, por exemplo, uma senhora aí com uns 80 anos, mas toda gaiteira, decidiu atravessar uma via rápida. Travei a fundo. E ela, calmamente, como se não se fosse nada, lá seguiu como um caracol, entre os veículos…

Será que eu, nos 15 anos em que tive carta e não conduzi, também fui assim???

Posted by Emília at 08:48:58 | Permalink | Comments (3)

Monday, August 28, 2006

upe, upe, urra!!!

Nham nham nham.

Passei agora por uma brigada da GNR e não me mandaram parar.

Foi a primeira vez que tal aconteceu e estou tão, mas tão, mas tão contente!!!!!

upe, upe, upe urra.

Posted by Emília at 17:37:00 | Permalink | Comments (2)

Sunday, August 27, 2006

Vamos à missa

A minha filha maiúscula andou toda a semana a pedir-me para a levar à missa. Não a uma missa qualquer. Repare-se no pormenor, a menina queria ir à missa das oito horas da manhã.

O pai afastou logo a possibilidade de ir à missa ao DOMINGO a tal hora, portanto–e por exclusão de partes–lá fui eu com a moça.

Sentamo-nos nos bancos da frente num igreja cheia quase só de reformados. A rapariga cantou, rezou, ajoelhou, benzeu-se, enfim, fez tudo que se deve fazer.

Começa uma senhora a ler a segunda leitura. Uma Carta ao Efésios que, por alto, dizia coisas que interpretadas à letra (e a rapariga só tem seis anos!) podem ser perigosas. “A mulher deve obedecer ao marido”, “a mulher é o corpo e o marido a cabeça”, “cabe ao marido a tomada de decisões” e rebéubeu pardais ao ninho…

Na homília, o sacerdote frisou a segunda leitura. Interpertou-a como ela deve ser interpertada, mas, na cabeça da rapariga, apenas ficou a frase de que “os homens mandam e as mulheres obedecem”.

Acaba a missa.

“Ó mãe não gostei nada daquilo que aquela senhora foi ler”, começa a pequena. E continua: “É melhor não dizer ao papá que Jesus disse que as mulheres têm que fazer o que os homens mandam porque ele pode querer começar a mandar em ti. Em ti e em nós”.

“Ok. Se quiseres não dizemos ao papá mas olha que ele não manda em nós. Tu vês que nós conversamos muito e que o papá é fixe”, digo eu.

“Então não dizemos ao avô porque ele pode querer mandar na avó”, conclui a moça.

Agora estou num dilema. Não sei se volte com ela á missa. Não era suposto a rapariga ouvir as coisas com tanta atenção.

Mas, na verdade, quem sai aos seus não é de Genebra. Quando casei, há dez anos atrás, “obriguei” a que mudassem o texto do casamento. Nada do “prometo obedecer”, nem para mim, nem para o meu sócio…

E a coisa tem resultado. Até hoje. O dia em que a minha filha ficou confusa com a ideia “que ouviu na missa” de que as esposas têm que obedecer aos maridos…

Posted by Emília at 21:12:48 | Permalink | Comments (1) »

Friday, August 25, 2006

Pergunta

Alguém que perceba da coisa é capaz de me dizer porque é que os filmes (bons e maus) só chegam a Portugal mais de um ano depois de terem sido apresentados na maioria dos países civilizados????

E depois anda a malta todo preocupada com a pirataria, as cópias e os roubos informáticos…´

Fico chateada, é claro que fico chateada.

Posted by Emília at 13:36:22 | Permalink | Comments (3)

Thursday, August 24, 2006

Pepsi ou Cola?

Este é o melhor anúncio que já vi. Quem sabe, sabe!

 http://media.putfile.com/pepsi-vizinhoblogspotcom

Posted by Emília at 13:38:05 | Permalink | No Comments »

Felicidade

Deitei-me com a minha filha na relva, de olhos postos no céu, a ver a estrelas.

Deixei que ela, do alto da sabedoria da infância, me ensina-se astronomia.

Assim, com as nossas cabeças juntinhas e deitadas sobre a relva ainda molhada, fiquei a saber qual era a estrela da fada dos dentes e qual a estrela que lhe servia de meio de transporte.

Fiquei a saber que a noite existe porque o sol vai para os Estados Unidos levar o dia aos meninos americanos.

Fiquei a saber que a minha filha, que quando era mais pequena me pedia, insistentemente, que lhe desse a lua, quer inventar um avião que voe junto ás estrelas. Que um dia, quando souber contar “muitos números”, vai contar todas as estrelas que existem no céu e que depois me vai dizer quantas são.

Que uma das estrelas mais brilhantes é a estrela do avó que já morreu e se transformou num astro.

E que a poeira luminosa que existe no céu, são as estrelas maiores a “abanar os vestidos e a sacudir o cabelo no baile das estrelas-princesas”.

Perante isto, que me importa saber se os cientistas vão chegar a acordo sobre se o sistema solar deve ter 8, 9, 10 ou mais planetas??? Quero lá saber se chove há três meses em Plutão….

Que me interessam os anéis de Saturno ou as luas de Júpiter???

Ninguém me consegue ensinar o que as minhas filhas me ensinam.

 

Posted by Emília at 00:06:51 | Permalink | No Comments »

Wednesday, August 23, 2006

Suri

Está a crescer em todo o mundo (como as ervas em campo lavrado) um movimento muuuiiiito sério com vista a por ordem e alguma moralidade nas famílias.

Criado em Inglaterra, este movimento defende que a primeira criancinha a ser salva da “loucura” dos papás é a pequena Suri Cruise. Sim, essa mesmo, a filha do Tom Cruise. Esse rapaz bonito que segue uma religião também ela bonita que aconselha o pai do bebé a comer o cordão umbilical para assim estar em maior harmonia com a criança….

“Salvemos a Suri”, numa tradução livre, tem já adeptos espalhos pelo mundo e eu recomendo vivamente uma visita ao blog http://7deadlysinners.typepad.com/foureyedbat/2006/06/save_suri.html onde se pode jogar “ao salvamento da Suri”.

É Verão e é importante ter isso em conta.

Salvemos, portanto, a Suri do pai giraço que lhe comeu o cordão umbilical.

Posted by Emília at 14:55:34 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, August 22, 2006

História de uma quase morte

Em meia dúzia de horas, estive–e não é tanga–por duas vezes a bater a bota.

(Isto soa a trágico, a film de terror para uns, a filme com final feliz para outros….)

Ora bem, domingo foi dia de sogros. Lá fomos nós todo o caminho a ouvir a Floribella. Um belo almoço. Uma seca de procissão da Senhora das Dores. A canalha inquieta. Os adultos a resmungar que a Senhora nunca mais vinha. Um calor do caraças.

Neste contexto, qualquer casa era boa para descansar e qualquer janela é boa para pousar os braços.

Assim estava eu quando, pimba, lá vem estore: Caiu-me um estore na cabeça. Mas com uma tal violência que os galos ainda cantam e os hematomas ainda reinam no couro cabeludo.

“Vai ao hospital. Não vai ao hospital. Põe gelo, tira gelo”. E eu cada vez mais zonza….

Depois, pego na minha filha minúscula ao colo e dámos as duas um grande mergulho no chão de cimento.

Não satisfeito com o estore que quase me matou e que, provavelmente, deve ter deixado danos irreparáveis no meu já pouco saudável cérebro (nos EUA esta merda dava direito uma indmização do caraças), ainda houve alguém a sugerir que tomasse um Aspegic. Segunda tentativa de assassinato.

Eu sou alérgica a Aspegic, Aspirina e essas coisas todas. Se tomasse um, a 70 quilómetros do hospital mais próximo, morria pela certa.

Só me lembro de gritar, com todas as forças que tinha, que não queria o remédio porque, em vez de morrer da doença (a pancada na cabeça), morria da cura (o Aspegic).

É como diz o povo e com razão: Há dias de manhã, que uma gaja, á tarde, não devia sair á noite. 

 

 

 

 

Posted by Emília at 13:43:07 | Permalink | Comments (1) »

Saturday, August 19, 2006

Figos

A primeira página do Expresso parece uma foto de um romance bucólico de Camilo ou Eça de Queirós.

Lá está uma maravilhosa foto-legenda do Sr. Silva a colher figos e da Sra Silva, ao lado, de cestinha na mão, a segurar os frutos que o marido colheu….

O fotógrafo do regime foi o senhor Rui Ochôa, um dos melhor fotojornalistas portugueses, casado com a médica-fadista-mandatária para a juventude do Sr. Silva.

Viva Silly-Season.

Só para avisar que, se alguém me quiser tirar uma fotografia campestre, eu não colho figos mas apanho tomates, pepinos e outras coisas.

Posted by Emília at 21:26:47 | Permalink | Comments (1) »