Levantamento de rancho
Hoje, ao almoço, houve–militarmente falando–levantamento de rancho.
A mesa estava posta, a comida estava pronta e pergunta a minha filha maiuscula:
“ó mãe o que é a comida?”
Costumo responder-lhe com ementas que variam entre as orelhas de rã, as pernas de formiga e os rins de borboletas. Mas hoje disse-lhe a verdade.
“Arroz de tomate e peixe grelhado”
“Que nojo. Aposto que o peixe é o que sobrou de ontem”
“Claro que é. O peixe custa muito dinheiro e temos que o aproveitar”
“Ó mãe posso comer dinheiro?”, pergunta a minúscula.
Entre “não como” e “comes”, meteu-se a minha mãe e a algazarra aumentou.
“Se as meninas não querem, comem outra coisa”, dizia a progenitora-mor.
“Quem as educa sou eu e o pai delas e não vem agora a avó contradizer-me”
“Eduquei-te a ti e és uma pessoa bem formada” (ora toma lá um elogio que é uma coisa rara!)
Bem, digamos que a coisa correu mal. Mesmo muito mal.
A minha mãe só dizia para eu não bater á canalha. E juro que não lhes bati só as obriguei a ficar sentadas á mesa a ver-me almoçar já que a avó decidiu ficar solidária com as netas e não comer.
Choraram baba e ranho e ameaçaram mesmo que me iam “acusar ao pai”. Boa. Assim é que eu gosto.
Comeram o arroz e o peixe, mais banana de sobremesa.
Obriguei-as, de castigo, a dormir a sesta (que choradeira). Acordaram bem dispostas e, aparentemente, não se lembram de nada.
Até o pai chegar a casa, claro….