Friday, July 28, 2006

Levantamento de rancho

Hoje, ao almoço, houve–militarmente falando–levantamento de rancho.

A mesa estava posta, a comida estava pronta e pergunta a minha filha maiuscula:

“ó mãe o que é a comida?”

Costumo responder-lhe com ementas que variam entre as orelhas de rã, as pernas de formiga e os rins de borboletas. Mas hoje disse-lhe a verdade.

“Arroz de tomate e peixe grelhado”

“Que nojo. Aposto que o peixe é o que sobrou de ontem”

“Claro que é. O peixe custa muito dinheiro e temos que o aproveitar”

“Ó mãe posso comer dinheiro?”, pergunta a minúscula.

Entre “não como” e “comes”, meteu-se a minha mãe e a algazarra aumentou.

“Se as meninas não querem, comem outra coisa”, dizia a progenitora-mor.

“Quem as educa sou eu e o pai delas e não vem agora a avó contradizer-me”

“Eduquei-te a ti e és uma pessoa bem formada” (ora toma lá um elogio que é uma coisa rara!)

Bem, digamos que a coisa correu mal. Mesmo muito mal.

A minha mãe só dizia para eu não bater á canalha. E juro que não lhes bati só as obriguei a ficar sentadas á mesa a ver-me almoçar já que a avó decidiu ficar solidária com as netas e não comer.

Choraram baba e ranho e ameaçaram mesmo que me iam “acusar ao pai”. Boa. Assim é que eu gosto.

Comeram o arroz e o peixe, mais banana de sobremesa.

Obriguei-as, de castigo, a dormir a sesta (que choradeira). Acordaram bem dispostas e, aparentemente, não se lembram de nada.

Até o pai chegar a casa, claro….

 

Posted by Emília in 19:56:11 | Permalink | Comments (1) »