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Friday, July 7, 2006
Limpezas
Há uma coisa que me incomoda muito. Para dizer a verdade, incomoda-me bastante. Exageradamente.
É a mania das limpezas. Então, nos carros, valha-me Deus…
Que me lembre, em toda a minha vida, só limpei uma vez um carro. Quando o meu cunhado casou há dez anos atrás.
Agora que sou fiel proprietária de um veículo de quatro rodas, que conduzo, ouço demasiadas vezes a pergunta: “Então, não achas que o carro precisa de um banhito”?
Na verdade não acho. Veio limpo qunado o comprei em Abril e, depois disso, um dia ao regar arelva, dei-lhe uma mangueirada. É certo que o tempo também não ajuda e a falta de chuva não se reflecte só no nível da água das barragens…
Por dentro, é outra cena. De vez em quando, despejo o carro. Isto é, pego nos guardanos, nos lenços de papel, nos envolucros de rebuçados, nas migalhas e na enorme quantidade de objectos não identificados que por lá andam e coloco-os no lixo.
Importa dizer que o meu carro é diriamente utilizado, no mínimo, por quatro crianças, qual delas a melhor.
De resto, que posso eu fazer quando um petiz põe os sapatinhos cheios de terra enconstados ao banco da frente?
E quem aguenta o odor dos pezinhos descalços?
Enfim. Estes dias, fartei-me das bocas foleiras e fui laar o carro. Melhor, paguei para me lavarem o carro.
“Olhe, faz favor, pode lavar este carro?”, pergunta a ingénua.
“Não, isto é uma oficina. Tem que ir a uma bomba de gasolina”, responde simpaticamente (pelo menos, estava a rir-se) o funcionário.
Volta para trás. A mesma conversa.
“E qer que leva na totalidade?”, pergunta o homem.
“Isso quer dizer o quê?”
“Se quer que limpe por dentro e por fora?”
“Quero, faz favor”.
Ficou um brinquinho. E assim se manteve até esta manhã.
Só que, e há sempre um “só que”, hoje um bando de passarinhos lindos e cantadores confundiram o meu jipinho com uma casa de banho pública.
Badalhocos. Fedorentos. Não havia mais nenhum sítio para fazer cócó, não?
Tanto carro na rua e teve que ser logo no meu?
Por isso é que não podemos ser fundamentalistas das limpezas.
Há sempre um pássaro a espreitar…