Promoção
Diz o pai: “Meninas hoje fui promovido na empresa. Sabem o que é uma promoção?”
Diz a maíuscula: “Uma promoção é quando as coisas estão mais baratas no supermercado”.
Diz o pai: “Meninas hoje fui promovido na empresa. Sabem o que é uma promoção?”
Diz a maíuscula: “Uma promoção é quando as coisas estão mais baratas no supermercado”.
Hoje, ao almoço, houve–militarmente falando–levantamento de rancho.
A mesa estava posta, a comida estava pronta e pergunta a minha filha maiuscula:
“ó mãe o que é a comida?”
Costumo responder-lhe com ementas que variam entre as orelhas de rã, as pernas de formiga e os rins de borboletas. Mas hoje disse-lhe a verdade.
“Arroz de tomate e peixe grelhado”
“Que nojo. Aposto que o peixe é o que sobrou de ontem”
“Claro que é. O peixe custa muito dinheiro e temos que o aproveitar”
“Ó mãe posso comer dinheiro?”, pergunta a minúscula.
Entre “não como” e “comes”, meteu-se a minha mãe e a algazarra aumentou.
“Se as meninas não querem, comem outra coisa”, dizia a progenitora-mor.
“Quem as educa sou eu e o pai delas e não vem agora a avó contradizer-me”
“Eduquei-te a ti e és uma pessoa bem formada” (ora toma lá um elogio que é uma coisa rara!)
Bem, digamos que a coisa correu mal. Mesmo muito mal.
A minha mãe só dizia para eu não bater á canalha. E juro que não lhes bati só as obriguei a ficar sentadas á mesa a ver-me almoçar já que a avó decidiu ficar solidária com as netas e não comer.
Choraram baba e ranho e ameaçaram mesmo que me iam “acusar ao pai”. Boa. Assim é que eu gosto.
Comeram o arroz e o peixe, mais banana de sobremesa.
Obriguei-as, de castigo, a dormir a sesta (que choradeira). Acordaram bem dispostas e, aparentemente, não se lembram de nada.
Até o pai chegar a casa, claro….
A hipocrisia domina o mundo. E ando tão enojada com isso que hoje tenho mesmo que escrever…
Todos os dias, a todas as horas, há novos números sobre os mortos no Iraque, no Líbano, em Timor. Mortos cívis e militares porque o valor da vida humana é igual (ou deveria ser)….
Por acidente ou por danos colaterais morrem crianças, funcionários das Nações Unidas, voluntários.
O mundo condena os ataques (menos os Estados Unidos, claro) mas as armas só se calarão quando os objectivos de quem tem a supremacia das armas forem alcançados.
É esta hipocrisia que me mete nojo.
E depois, os mais puristas (quase sempre os mais hipócritas) ainda criticam o Zapatero por ter retirado todos os soldados espanhois do Iraque e, recentemente, por não ter estado presente na missa celebrada no Encontro Mundial de Família pelo Papa Bento VI.
Não sendo católico, acho que fez muito bem não ir á missa.
Como pacifista, acho que fez muito bem em tirar do Iraque os militares espanhois.
O mundo tem deixar de andar a reboque de um pais que tem um imbecil como presidente e que nem sequer teve mais votos nas eleições em que, passando o pleonasmo, foi eleito.
Ai quem me dera estar em Beirute…
Lula morreu e foi para o Céu.Olha Lula, é a última vez que repito:
- Platão não é aumentativo de prato;
- Epístola não é a mulher do apóstolo;
- Eucaristia não é o aumento do custo de vida;
- Cristão não é um Cristo grandão;
- Encíclica não é bicicleta de uma roda só;
- Quem tem parte com o diabo não é diabético;
- Quem trabalha na Nasa não é nazista;
- Jesus Cristo morreu na Galiléia e não de gonorréia;
- Annus Domini nada tem a ver com o traseiro do Papa;
- E meu nome é Confúcio …
Pafúncio é a puta que te pariu !..
I love os empregados de restaurantes, de lojas, de cafés, de bombas de gasolina e de todos os estabelecimentos comerciais em geral.
Começa logo pelo nome. Sentadinhos numa esplanada, queremos chamar pelo empregado e como fazemos?
Ó faz favor. Ó menina/menino. Ó senhora/senhor. Ó garçon. Ó…
Na existe um nome para chamar. Ou sabemos o nome da pessoa e aí dizemos “ó senhor Francisco, era mais um pires de tremoços” ou então ficamos ali, a olhar, de braço no ar, a sorrir, a acenar….até que alguém nos ligue.
De todos o que mais gosto é o “ófazfavor”, dito assim todo junto. É o mais eficiente e o que mais resulta.
E nas lojas? O ar de enjoado da maioria dos funcionários como se nos estivessem a fazer um grande favor ao vender-nos uma camisola ou uns sapatos.
“Por favor, não se importa de me mostrar os fatos de treino para seis anos?”. E a gaja olha para mim como se estivesse mentalmente a dizer-me “por acaso importo. Vá lá você. Pensa que eu estou aqui para isto? E quando é que eu descanço? Fogas-se nunca mais são dez horas….”
E ai de quem se atrever a ver a roupa e não comprar nada. Fica esconjurado. Diarreia forte, pela certa. Que não se atreva a aparecer lá nos próximos três meses.
Como eu gosto desta simpatia. Desta frontalidade. Desta gente minha conterrânea que, tal como eu, tem por vizinhos os simpáticos golfinhos do Oceano Atlântico.
E, já agora, como é que chamamos um empregado de mesa????
I love Portugal, entre outras razões, por causa das placas ou tabuletas ou lá como se chama aquilo.
Sei lá, gosto de ir na auto-estrada e ver uma placa a dizer “Algarve 130 kilómetros”. É que a gente fica logo informada.
Nem sei porque é que no referendo sobre a criação de regiões o “sim” não ganhou…
O Algarve deve ser uma naçon. Quem quer saber a que distância fica Quarteira, ou Tavira, ou Faro? Ninguém.
O Algarve é como Deus.
Uno, indivisível. Por isso, saber que o Algarve fica a 200 quilómetros dá-me logo tranquilidade mesmo imaginando que a terra para onde quero ir fica 100 quilómetros mais á frente.
O mesmo acontece com Espanha. Assim, no meio de um cruzamento, entre placas indicativas ao restaurante zé do peixe assado, á cabeleireira nelinha, à sapataria mete nojo, ao talho rei do gado e outros que tais, heis que surge uma placa com uma seta indicar Espanha.
Nada de quilómetros. Nada de que cidade espanhola estamos a falar. Nada. Apenas a palavra Espanha para que se mantenha o nosso sentido de orientação.
I love Portugal. Juro. Mas estou convencida que é um amor não correspondido.
Estamos de férias. Daí a balda aos posts.
Apenas uma pergunta:
Quem nunca fez xixi dentro de uma piscina que atire a primeira pedra…..
Em poucas palavras, mas de forma séria, porque a coisa mete religião e nada de fazer graças com Deus, eu fui cumprir uma promessa.
Ora bem, a minha mãe e os meu sogros (acho que por motivos diferentes) decidiram fazer uma promessa ao S. Bento (S. Bentinho, para os amigos).
Prometeram que Eu, o meu Marido e as minhas Filhas ía-mos á festa do santo.
Analisando seriamente a sanidade mental dos progenitores, achei que o melhor era ir.
E fomos.
Como hei-de explicar o que se passou? Que palavras hei-de eu usar para relatar o acontecimento?
Vou tentar.
Começou com a elaboração do merendeiro. Filetes de pescada, bolinhos de bacalhau, chouriço, presunto, coelho e carne assada.
Levantei-me de madrugada para fazer uma bela panela de arroz que, usando de uma sabedoria secular e infalível, embrulhei no jornal Expresso e, posteriormente, enrosquei numa toalha.
Certo é, ás duas da tarde, o arroz ainda estava quente.
Mas antes do pic-nic, em plena serra da Peneda, a missa e a procissão.
Da missa, retenho duas frases do jovem e belo sacerdote que fez o sermão: ”Andam a dar dinheiro a S. Bento mas ele não quer dinheiro” e “Toda a gente quer-se dar bem no céu mas quase ninguém se preocupa em dar-se bem com os outros aqui na terra”.
Ora toma. Embrulha. Gostei da parte do “dar-se bem”. Quanto ao dinheiro, não vejo qualquer problema em que começe a reverter a favor desta casa.
Da procissão, retenho a imagem de dezenas de anjinhos, homens e mulheres amortalhados (ou será amordaçados?) com um vestido branco de renda, pés descalços a pisar o cocó das vaquinhas, e um calor filha da mãe.
Entretanto pego na minha filha mais velha e tento explicar-lhe o que é um vale. “Tás a ver, uma montanha de um lado, uma montanha do outro, e aqui no meio é um vale”. “Ó mãe um vale é o que a avó vai levantar todos os meses ao correio”. Avante.
Toca a ir dar a esmola ao santo. Dois euros metidos na caixita de esmolas da igreja.
A moeda mal tinha feito “plim” ao cair na caixa e já estava uma senhora idosa, vestida de preto (aqui em casa ninguém quer que eu use o termo ‘velhota’) a tocar-me no ombro:
“Olhe que não é aí que se deita o dinheiro. Aí é para a igreja, se for para o santo tem que ir á Casa da Mesa”
“Á casa de quem?”
“Da Mesa, é ali fora da igreja. O dinheiro lá é mesmo para o S. Bento”..
Não ousei contrariar a senhora nem perguntar-lhe se, por acaso, tinha ouvido o sermão do jovem e belo sacerdote na parte em que dizia que S. Bento não queria dinheiro.
Arrastei a rapariga pela mão e lá fomos á Casa da Mesa. Bem, o que lá havia de pés, pernas, mamas, cabeças, braços, pescoços, olhos, rins, corações e não sei que mais em cera dava para completar dezenas de corpos…
Mais dois euritos de multa para ter direito a duas fotografias do santo.
Tá a correr bem, está está.
Cheia de calor, de pó, de gente coberta de roupa, de terços, bençãos e trinta por uma linha, lá fomos almoçar.
E onde? Pois, com aquela gente toda, calhou-nos um pedaço de chão num sítio belíssimo que tivemos que partilhar com alguns cavalos semi-selvagens que não se coíbiam de defecar mesmo ao nosso lado.
Foi lindo. Inesquecível. A parte do arroz, então, foi memorável.
Adoro promessas.
Vou prometer á Senhora de Fátima que os meus amigos vão lá todos a pé.
E ai de quem me contrariar!
Eu devo andar meia ieca (é assim que a minha filha chama a quem anda confusa, trenga, a quem não percebe as coias).
Então não é que eu percebi que os jogadores e técnicos da selecção portuguesa queriam ficar isentos de pagar impostos sobre os prémios de jogo!???
Devo estara a sonhar…
Com a vida de lordes que levam e levaram durante o mundial, com os prémios que ganharam, os patrocinios, as prendinhas, etc, etc e ainda querm NÃO pagar impostos????
É claro que a resposta foi negativa. O bom senso ainda circula por aí.
Mas a dúvida persiste: Ninguém na Federação Portuguesa de Futebol tem um pingo de vergonha??
Aliás, isto de estar ao serviço do país é uma grande bosta. E permite os mais variados abusos.
Os atletas de alta competição (desde o atletismo, ao xadrez e á sueca) têm entrada garantida nas universiades publicas, no curso que querem, sem ter que se sujeitar a essas coisas foleiras como os exames e provas de aferição.
Credo, afinal eles são atletas de alta competição, estão a servir o país…
E não me sai da cabeça o caso da senhora doutora fadista Kátia Guerreiro, por acaso mandatária para a juventude da candidatura do homem de Boliqueime. Estudante de medicina, a mulher consegui convencer os decisores de que, ao cantar o fado, estava a servir o país e vai daí não teve que fazer o exame para entrar na especialidade médica que queria.
Evoca a senhora que está a estudar medicina como uma missão para ajudar as pessoas, para tratar doenças, para cuidar dos ais pobres e sesamparados…
E qual foi a especilidade que escolheu, qual foi???
Não, não foi clinica geral. Foi uma daquelas que dão muito dinheiro. Que as clinicas privadas adoram. E que é muito fina…
E mais não digo porque são os meus e os vossos impostos que andam a pagra estes vícios todos.
As minhas filhas têm formas muito originais de rezar.
Todas as noites é a mesma coisa. Lado a lado com a mãe e o pai e a avó–nas oraçães e nos pedidos ao Jesus para que “dê saúde”–está a Laica (a nossa cadela), as galinhas da avó, o gato do avô. E estão também pessoas que amamos e que passaram pela nossa vida. Espanta-me a forma como pedem a Jesus e ao Anjo da Guarda para “tomar conta” das pessoas de quem gostam: vivas e mortas.
Mas esta noite, foi especial.
“Ó mamã, queres que te ensine a rezar”, pergunta a maíscula.
“Ora diga lá, excelência”.
“Pai Nosso roi o osso, roi-o tu que eu já não posso”
E outra:
“Avé Maria cheia de graça tenho a barriga cheia de massa”.
Ora bem, tendo em conta que tem seis anitos, acho que já leva uma bela escola….