Friday, June 30, 2006

Finalista

A minha filha é finalista. Vai receber capa e cartola e diploma. Finalista da pré-primária, é claro.

Tem direito a livro de curso, com os retratos dos amigos e a profissão que desejam ter no futuro.

Pois bem, a minha descendente quer ser bailarina (?). Mas, o que mais me fez pensar ao ler o livro de curso foi a pouca ambição crianças.

Passo a citar: Para além de bailarina, os colegas da minha filha querem ser “motoqueiros”, “trolhas”, “jardineiros” e coisas do género.

Há lá mesmo uma simpática menina cujos papás têm como fonte de rendimento o Rendimento Mínimo, que disse mesmo que, quando for grande, não quer fazer “nada”.

Ó amor, até eu não quero fazer nada quando for grande.

Quero ser reformada.

Quero viver de rendimentos.

Quero viver á pála do meu marido.

Por tudo isto, Heleninha, o meu beijinho mais especial vai para ti que, aos seis anos de idade, já tens um projecto de vida extraordinário. De fazer inveja a muita gente que lê este blog.

E agora, como nunca me deixaram sonhar como tu sonhas e como sempre me castraram as ambições de ser dondoca, vou fazer uma bola de carne para levar á festa dos finalistas.

Posted by Emília at 12:33:44 | Permalink | Comments (1) »

Thursday, June 29, 2006

a mulher que mordeu o cão

 Hoje fui notícia no PÚBLICO. Ganhei dois prémios.

Para quem está deprimida como eu estou, os telefonemas e as mensagens que recebi de parabéns souberam-me a pasteis de nata com canela.

Foi tão agradável falar com amigos. Que saudades que eu tenho vossas!!!!

Obrigado. E não me façam chorar mais….

Posted by Emília at 18:48:17 | Permalink | No Comments »

Wednesday, June 28, 2006

Ir ás compras

Fui com as minhas filhas ao Continente. O que é sempre uma aventura. Chegar ao parque de estacionamento. Parar o carro. Obriga-las a sair das cadeiras. Pegar no carrinho. Pegar na lista. Fazer compras.

O calor. O tirar os casacos. O atirar os casacos para o fundo do carrinho. O por todas as outras compras em cima deles.

A caixa. A funcionária antipática. O pagar de 40 em 40 euros para ter mais talões de desconto para a gasolina. As raparigas a perguntar se podiam comer bolachas do noddy. Eu a passar-me. O cartão multibanco que não aparece.

Finalmente, começa a ver-se o fundo do carrinho. Está tudo.

“E as meias são para ir”, pergunta a zelosa funcionária vestidita com a camisola de Portugal.

“Quais meias”, questiono eu.

“Essas que estão aí no fundo do carrinho, debaixo dos casacos”….

“Não pus aqui meias nenhumas”, digo eu já corada e com meio hipermercado a olhar para mim.

Levantei os casacos e lá estavam umas meias do noddy, duas cuecas, um sutiã, uns calções e uma camisola para a boneca…

Acho que ninguém acreditou que eu não sabia que aquela roupa estava no meu carrinho.

As minhas ricas filhas estavam na maior, não sabiam de nada, não puseram nada no carrinho e quanto mais eu lhes resmungava mais os estardalhos se divertiam.

Basicamente, devo estar na lista negra da Sonae (se não for por esta razão, deve haver outras).

Que vergonha. Comprei tudo. Paguei tudo. Mas acho que nunca vou conseguir tirar a roupa do saco.

Posted by Emília at 13:46:46 | Permalink | No Comments »

Tuesday, June 27, 2006

Inauguração

Com toda a pompa e circunstância vai ser inaugurada, já este fim de semana, uma rotunda na minha terra.

Quer dizer, a rotunda já lá está há anos. A inauguração é do arranjo urbanístico (?) que a câmara ou a junta ou lá quem foi mandou fazer.

Basicamente, o arranjo urbanístico foi o corte das árvores e a destruição da relva para, no seu lugar colocar de forma artística, um monte de terra coberto depois por pequenas pedrinhas coloridas. As mesmas pedrinhas espalham-se por toda a rotunda, fazendo–através das cores–algumas figuras geométricas.

Arte pura. Tão elevada, mas tão elevada que ninguém a compreende. Mas é arte, que fique registado.

Ora bem, as obras de remodelação do espaço acabaram no passado sábado.

Só que domingo e coisa e tal e Portugal ganhou e para onde é que foi a malta? Pois claro, para a rotunda.

Ele eram grades de cerveja, ele eram bandeiras, ele era povo e mais povo, ele eram panelas e testos, ele eram latas….tudo servia para comemorar a vitória e fazer barulho.

Centenas de pessoas em cima das pedras e lá se foi a obra de arte!

Esta manhã, lá estavam outra vez os zelosos funcionários, de regra e esquadro, a pôr as pedras no sítio.

É quase como dar pérolas a porcos. Dar arte a quem não a sabe apreciar e até, direi mesmo, a quem a espezinha sem  dó nem piedade.

As pedrinhas estão novamente no sítio.

Espero que sábado volte a ficar tudo estragado…

Posted by Emília at 20:07:36 | Permalink | Comments (2)

Monday, June 26, 2006

Minhas ricas filhas!

Isto de ser mãe é lixado.

É claro que ser filha (ainda por cima de uma mãe como eu), também não deve ser muito fácil.

Enquanto fui só filha da mãe havia muitas coisas que não entendia e que me revoltavam profundamente.

Agora que sou mãe de filhas percebo que tenho que lutar diariamente para não me tornar protectora em demasia, chata em demasia, liberal em demasia….

Quando a minha filha mais velho nasceu, dei comigo a comentar com o pediatra a vida que levava: “Tantos anos a estudar, tanta preocupação com o futuro e agora é põe mama, tira mama, põe fralda, tira fralda, põe a arrotar e gira o disco e toca o mesmo”. Ele ria e só agora começo a perceber o riso dele.

As raparigas estão em franco crescimento em todos os sentidos. E dou comigo a repetir os recados que a minha mãe me dava há vinte anos atrás: “Não se fala com desconhecidos, não aceitem boleias de quem não conhecem”.

O caso indescritével do GNR reformado (aos 53 anos???) que violou e matou , pelo menos, três jovens raparigas deixou-me absolutamente transtornada.

Mudei o tom dos recados e isso é preocupante. Agora digo: “não aceitem boleias de conhecidos”.

Esta mudança de paradigma dá-me cabo do juízo. De repente, percebo que ninguém é de confiança. Que só as raparigas engravidam, que quase só elas são violadas, que os gajos são estranhos (já me vejo ao portão, de vassoura na mão, à espera deles…), que os gajos têm pilas e que as usam nas filhas de qualquer um.

Como ensinar as minhas ricas filhas a protegerem-se de um mundo do caraças?

Isto doi.

 

 

 

Posted by Emília at 16:42:32 | Permalink | No Comments »

Verbo comer

Para variar, nada de futebol.

Apenas o Presente do Indicativo do Verbo Comer.

Exemplo:

Eu como uma laranja

Tu comes uma laranja

Ele come uma laranja

Nós comemos uma laranja

Vós comeis uma laranja

Eles comem uma laranja.

Soube bem, não soube?? 

 

Posted by Emília at 08:10:08 | Permalink | Comments (2)

Saturday, June 24, 2006

Riquinha…

Enquanto prossegue o concurso de quadras alusivas a esse grande santo, o S. João, aproveito para relatar a forma como a Caixa Geral de Depósitos me enriqueceu momentaneamente…

Assim, ontem algum funcionário mais zeloso e solidário da CGD depositou na minha humilde conta 33.367 euros e 61 cêntimos.

Horas depois, por decisão superior de algum fascista que, por certo, quer contrar um novo administrador para a Caixa, fazem-me um estorno na conta e retiram-me 33.424 euros e 21 cêntimos.

Portanto, FUI ROUBADA.

Atenção, FUI ROUBADA pela Caixa Geral de Depósitos em 56 euros e 60 cêntimos.

Digam lá se isto é normal!

Juro que ás vezes penso que estas coisas (a minha vontade era escrever ‘merdas’, mas não posso) só me acontecem a mim….

Posted by Emília at 13:48:29 | Permalink | Comments (1) »

Friday, June 23, 2006

Concurso de Quadras

Está lançado o desafio!

A melhor quadra ganha um martelo de plástico e um raminho de erva cidreira.

Bora a concorrer?

Aqui ficam alguns exemplos:

 

“Ó S. João da esquina

alumieia cá para baixo

que eu perdi o meu amor

e ás escuras não o acho”.

 

“Um copinho, dois copinhos

três copinhos de licor

levas um estalo nas  ventas

passa-te já o calor”.

 

Pessoal, toca a participar…

Posted by Emília at 16:56:10 | Permalink | Comments (8)

Thursday, June 22, 2006

Timor

Ando triste. Ando mesmo muito triste por causa de Timor.

É estranho ver um país bebé com tiques e manhas de país velho.

Tanta luta, tantas mortes, tanto esforço, tanto sacrifício para a independência e a democracia para isto?

Fazem-me comparações históricas entre o que a luta fraticida que se está a passar em Timor e o que se passou em Portugal no pós 25 de Abril. Na verdade, não é coisa que me tranquilize. Antes pelo contrário.

A democracia também se aprende. E um país tão belo e com uma história humana tão extraordinária não devia estar sujeito a interesses caciquistas.

O que eu fiz para ajudar Timor foi muito, muito pouco. Meia gota de água no oceano de petróleo timorense mas foi feito de coração.

Talvez por isso, me incomode tanto a guerra partidária, os interesses mesquinhos de quem governa, a luta de forças para ver quem manda mais…

Porque é que a lucidez desaparece da mente de gente tão iluminada como aqueles que durante décadas quiseram ver um Timor Livre?

Posted by Emília at 19:34:31 | Permalink | Comments (3)

Loucura total

Depois de, dezenas de vezes, ter tomado banho, ter lavado a cara e me ter deitado na cama, com os óculos, esta manhã consegui bater todos os meus recordes pessoais.

Em vez de creme anti-rugas, enchi a cara de gel do cabelo.

E só reparei na asneira qunado gel começou a secar e a endurecer…

É a loucura total.

Posted by Emília at 08:32:33 | Permalink | Comments (3)